Allen Halloween
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Dia de Um Dread

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Lyrics

Dia de Um Dread

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Pais falhados, amigos pedrados

Não vejo maneira de sair deste buraco

Miséria, crime, lixo, bicho

Niggas a roubarem para alimentarem vícios

Sai da frente, deixa-me passar

Eu sou velho delinquente eu não vacilo em disparar

Não tenho planos, sou vândalo suburbano

Violência, delinquência são o meu quotidiano

Hey, bacano, não entres no meu bairro

O último pagou caro, foi esfaqueado por causa dum cigarro

A velha, Maria Imaculada, Senhora respeitada

Foi apanhada levada, julgada

Tinha meio quilo de branca em casa debaixo da cama

De cana, fecharam a paróquia do Padre Góis

Cambada de bois, baptizavam meninos com espermatozoides

Uh, António da Rua Aguiar tá tão mudado

Vi-o sentado no Parque Eduardo Sétimo, no Sábado passado

Coitado, o rapaz tá tão magro

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

É um bonito ofício

Tão digno como ser Primeiro Ministro

Não tens a gravata, não tens o terno

Mas tens o cu para teu governo

Credo, eu sou um cidadão do Inferno

Á esquerda um preto que me quer assaltar

Á direita um branco que me quer explorar

Sempre enfrentado os outros, meio pedrado, meio ciente

Andando pelas ruas provocando toda a gente

Ao virar da esquina aparece a polícia

PSP, Porcos Seguem Pretos, vieram-me dizer bom dia

Faz favor de encostar à parede

Tens alguma coisa que te comprometa

Nós não te dissemos já que não te queríamos ver aqui?

És tu que és o Halloween?

O meu nome é Ali Bábá, tem calma meu

Só estou à espera da tua mãe mas ela não apareceu

(Oh Jorge, este sacana é engraçado)

Começaram-me a espancar, a dar pra matar

Eu puxei dum cigarro, comecei a fumar

Pistola na minha cara, cara bué inchada

Algemaram-me à chapada e levaram-me para a esquadra

Eu já tinha jantado mas na esquadra serviram-me mais um prato

Comi tanto naquela noite que fiquei enjoado

Bófia agarrou na folha do meu cadastro

Mais porca que o porco do meu padrasto

Idade, 16 anos de marginalidade

Acusação, ladrão, deram-me ordem de prisão

É a décima vez que a gente se vê

Preto do caralho vais dormir no xadrez

Xadrez para mim é uma suíte

Paredes com cimento na minha casa não existe, é triste

Meteram-me na cela dum travesti magricela

Um Tuga agarrado mais conhecido por Cinderela

Pediu-me um cigarro disse que morava em Odivelas

Era um homem inocente, foi apanhado numa ruela

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

(A dar o rabo pra comprar cavalo)

Público, público na esquadra era muito

Sempre pensei que era um gajo fodido mas não era o único

Ao lado de tanto marginal, eu era um miúdo

Putas, drogados, ladrões, chulos

Tanta escumalha, tantos gandulos

(Hey senhor guarda vocês não podem prender putos

Shh! Respeito pela farda, faz pouco barulho)

Eu conheço este porco, ele chama-se Varela

Maldito porco da PSP de Odivelas

Uma vez viu-me no parque a fumar a minha wella

Apagou-me o charro, fodeu-me uma costela

Ah, Varela, felino desgraçado

Se apanho o teu focinho eu mando-te com o caralho

O porco do teu filho anda na melhor faculdade

Com o dinheiro que rouba os dealers na cidade

O porco tem um bigode que é sua vaidade

Uma moto quatro, e duas casas no Algarve

O porco tem um trauma que é segredo

A sua ex-mulher fugiu com um ganda preto

Pouco barulho caralho! Deves 'tar a querer levar mais?

Eu não senhor guarda, Deus me livre, eu calo-me já

Três e meia finalmente saí da esquadra

Prenderam tanta gente que a cela ficou lotada

Tiraram os meus dados e mandaram-me para casa

Cravei uns trocos, telefonei à minha chavala

Mas para variar, a bitch não 'tava

Cabra de merda roda o bairro inteiro

Mas eu não a largo, a puta tem dinheiro

Cheguei a casa a porta 'tava arrombada

Vidros partidos na entrada, tinha sido assaltada

Desgraçado do meu primo, maior carocho da área

Tinha-me roubado um vídeo para comprar dose diária

Abri o frigorífico, nada pra beber

Virei a cozinha, nada pra comer

Deitei-me na cama comecei a tremer

Quatro da manhã não consigo adormecer

Olha no fundo do quarto a insónia

Porque é que não param de rir-se de mim!? Paranóia!

Não aguento nigga, a agonia é muito grande

Preciso de qualquer merda para mandar para o sangue

Gás ou gasolina dá-me que eu fumo

Alguém me faz um pica ou eu corto os pulsos, eu juro

Ninguém me ouve por mais que faça barulho

De repente, pareceu-me ouvir gente

Vozes a chamarem-me por mim na minha mente

Deve ser da fome, eu devo estar doente

Preciso de ajuda, por sinal, urgentemente

(Halloween)

(Halloween)

(Halloween)

(Ahahahah)

Afinal eram os meus niggas a baterem á porta

(Então? Como é que é bruxa?

Nu bai bruxa 'am busca droga?)

Bora, puta da insónia que se foda

Fomos comprar droga na esquina vinte e quatro

Esquina controlada por um dealer cadastrado

Dealer conhecido como Dino Diacho

Cara marcada com a cicatriz duma facada

Óculos escuros, fato, gravata

Charuto cubano, mala à diplomata

O individuo tinha sido preso mais de vinte vezes

'Tava cá fora não fazia dois meses

Um Cabo-Verdiano escuro só andava de Mercedes

Entramos no bairro, gangsters em todo o lado

Calma mano só viemos comprar um charro

Cabo-Verdiano fez um sinal

Niggas ficaram calmos

Ofereceu-nos bebida, fomos testar o produto

No carro, damas bonitas, vinho do mais caro

Tá-se bem nigga, hoje temos o dia ganho

Começamos a fumar, beber sem parar

Eu 'tava de jejum comecei a vomitar

Tiraram-me do carro ao pontapé e à chapada

Fingi que desmaiei mas não me serviu de nada

Nós eremos três, eles eram mais de vinte

Pontapés na minha cabeça pareciam dinamites

Consegui fugir mas esqueci-me do

Voltei para trás (Rapazinhos é nha droga)

Desgraçados, cercaram-me deram-me um enxerto de porrada

Meus niggas fugiram, deixaram-me deitado na estrada

Cara rebentada, roupa rasgada

Ganda pedrada, cinco da madrugada

Deitado no vómito sem guito, sem angala

De repente sinto um flash

(E a luz se apaga, e baza, e baza, e baza)

Fiquei desmaiado até uma velha me acordar

(Ai não te mexas filho que eu já chamei uma ambulância)

Ambulância? Afanei-lhe o fio, tirei-lhe a aliança

Cacei-lhe a carteira e pus-me à distância

Vizinhos ouviram gritos chamaram a policia

Com a jarda que eu tava nem que chamassem a CIA

Nas costas, levar uma facada, nem sentia

Qualquer merda, mudara a minha batida cardíaca

O coração parava, o coração explodia

Nem o Obikwelu me apanhava da maneira que eu corria

Cheguei a Santo António já era de dia

Não há ninguém que goste de mim neste bairro

Parece que todo o mundo me quer mandar abaixo

Nigga tô no chão daqui já não caio

Os cotas do bairro, todos olham-me de lado

(Então rapaz? Quando é que arranjas um trabalho?)

Pergunta à tua mulher se ela precisa dum caralho

Tinha tantos amigos, fazíamos merda todos os dias

Um foi morto os outros foram para Caxias

Ás vezes fico a pensar, há-de chegar o meu dia

Mas não penso muito, a cabeça tá fodida

Vinte e quatro horas por dia com uma faca no bolso

Girando de esquina à esquina à procura do almoço

A ver se um gajo orienta guita pa apanhar moca

Se um gajo ca orienta, tá fica doido

Já faz um mês e tal que não vou às aulas

Mais uma vez se calhar chumbei por faltas

Nunca fui burro nem um grande baldas

Os stores é que nunca foram com a minha cara

Uns diziam bem alto que eu lhes queria gozar

Meninos do SASE ponham o dedo no ar

Todos riam-se mas riam baixinho

Sabiam que lá fora levavam no focinho

Havia uma miúda chamada Bianca

Bianca era minha paixão de infância

Uma miúda mulata quase branca

Corria atrás dela desde criança

Mas ela não quis namorar comigo nunca

Diz que nunca viu um gajo tão chato, tão chunga

Vai Bianca se não gostas da minha roupa

A minha mãe não coze, o meu padrasto não compra

Sai daqui que tu cheiras mal da boca

Tu nem és bonita tu não és boa

Vou mas é largar a escola, montar a minha banca

Comprar umas roupas, fumar muita ganza

Vou comprar um Mercedes como aquele que o Dino manda

Depois vou voltar à escola, vou comer a Bianca

Dói-me as costas, a moca foi embora

A dor vai e volta, ajuda-me brotha

Foda-se

Tô farto desta vida, que safoda

Safoda

Tô farto desta vida, que safoda

Safoda

Tô farto desta vida, que safoda

Safoda

Tô farto desta vida, que safoda

Safoda

Um dia destes ainda pego numa pistola

Dou a banhada grande e vou-me embora

Vou para um lugar onde ninguém me conheça

Um lugar bem longe da minha cabeça

Eu tenho medo que ninguém se lembre de mim

Mas tenho mais medo, boy, de ficar aqui

Assim é o Karma, da vida de um malandro

Eu vou andando, vou-me arrastando

As minhas pestanas tão pesadas

Pesam uma tonelada

As minhas pernas tão cansadas

Quem me dera chegar a casa

Não sei se cheguei, acho que fiquei por ali

Deitei-me num banco de jardim e adormeci

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