Antonio Nóbrega
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Minha Voz Não Silencia Porque Poeta Não Cala

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Minha Voz Não Silencia Porque Poeta Não Cala

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Nem na faca, nem no grito

Nem no tapa, nem na bala

Nem na forca, nem na força

Nem na dor que a tudo estala

Minha voz não silencia

Porque poeta não cala

Nem no açoite, nem no tiro

Nem na lança que empala

Na angústia, na tortura

Nem na morte que avassala

Minha voz não silencia

Porque poeta não cala

Minha voz vem do peito e da garganta

De Homero, de Lorca e Lourival

Bob Dylan, Leminski e João Cabral

De Camões, de Cecília que encanta

É a voz que exalta, grita e espanta

A amargura, a tristeza, e a tudo embala

É o grito do mundo, da senzala

De Drummond, Vilanova e Neruda

Da beleza e do sonho não desgruda

É que a voz de um poeta nunca cala

Nem no fogo, afogado

Nem no ódio que embala

Nem no berro, nem no ferro

Nem na cela, sem a fala

Minha voz não silencia

Porque poeta não cala

Nem na tranca, nem no tranco

Nem no tronco da senzala

Nem na trama, nem no golpe

Na mentira que entala!

Minha voz não silencia

Porque poeta não cala

O racismo, a mentira e a opressão

São doenças dos tempos, são as cáries

Que alimentam terrores e barbáries

Abrem portas para a destruição

A poesia é uma arma, é munição

Um antídoto, um fortim, o sentimento

Libertário e liberto como o vento

Que na paz se encerra e principia

A poesia é escudo e armamento

Contra o ódio que cega e silencia

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