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A Mágoa de Uma Canção

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Lyrics

A Mágoa de Uma Canção

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Era uma canção sem intenção de magoar, mas magoou

Esparramando pelo ar

Trazendo imagens secas

Palavras caladas, engasgadas no tempo

Ideias criadas sem pensar em tormentos

E a vida desencantou-se

E se ficou quase sem nada

Da gota do mel doce

Fez-se a lágrima salgada

Era uma canção com intenção de se amar, mas se chorou

Naufragando pelo mar

Trazendo palavras cruas

Saudades mofadas pelas dores de amar

Orgulhos feridos por um gesto no olhar

E o riso perdeu as cores

E se ficou quase sem nada

Da gota do mel doce

Fez-se a lágrima salgada

Levanta-te e vê

O mundo não é o mesmo e tu nada fizeste além de dormir

Para as cachoeiras de sangue

Para as preces dos vaidosos na montanha dos mortos

Além da calmíssima planície dos acomodados

Enormes árvores imbecis, mas sinceras

Levantam seus braços ao céu

Tentando voar, tentando mais do que podem

Levanta-te, miserável, e vê

Tua mediocridade é maior do que o mundo

Tua dor não existe porque é dor medíocre

Tu és o inferno, tu és o demônio

E nunca poderás te exorcizar de ti

De tua miserável condição biológica

De ser o Deus de tuas ações mecânicas

Levanta-te, falso revolucionário e vê

Tu és pedra, nunca cordeiro

Nunca subjetivo, sempre carne e sangue

As ações mudam o mundo

Mas tu não és ação, tu és carne

Tu és o podre fedor de tua vida morta de sentido

Levanta-te medíocre, e vê

O sopro do universo em tuas areias

O sangue do sol, o fogo das estrelas

O furor dos tempos, a guerra, a loucura, a dor

E tua alma não passa de uma sombra

Não és o produto dos teus atos

És célula, molécula, átomo, energia, caos, falta de lógica, nada

Anda muda de mundo, tira férias deste mundo, não haverá diferença

Não és Deus mesmo

Serás sempre um proletário

Num mundo de prováveis almas escolhidas

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