Azagaia
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Cães de Raça (part. Guto)

A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.

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A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.

The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone.

He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities.

Editor's note

Azagaia's 'Cães de Raça' and the Mulato's Flag

A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.

Mulato é o ódio e o amor e as raças

The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone. He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities. The song details trying to fit into Portuguese culture, being called an exclusivist, and the contradictions that follow.

It's a blunt, almost mathematical equation for the mixed-race experience. The line doesn't offer resolution, just states the volatile components that define the position.

The way 'Aqui só passa a minha raça' repeats, turning from a declaration to a kind of grim mantra, sticks with you.

edit_note Ethan Walker · LyroVerse team · Apr 15
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the pull of "mulato sem bandeira" how "Aqui só passa a minha raça" turns into a mantra the pull of "Mulato é o ódio e o amor e as raças"
Lyrics

Cães de Raça (part. Guto)

The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.

Eu sou mulato né? Sou mulato sem bandeira

Desde a guerra colonial que não tenho trincheira

Pai branco intelectual, mãe preta lavadeira

Quis ser igual a ele, mas sem esquecer minha parteira

Quis ser progressista, chamaram-me exclusivista

Quando pedi ao fascista Salazar que me chamasse português

Que eu até era benfiquista, bebia vinho do porto e até era racista

Mas também fui independentista, revolucionário intelectual, mafalalista

Deu lugar a Craveirinha passando por Noémia, de Sousa

Quem disse que a minha vida é só boémia

Na tuga o assimilado, português de segunda

Na terra condenado à mecânico ou prostituta

Ninguém vence a minha luta

Se a mulata arranja job dizem que deu a fruta

E quem convence que a má conduta de um mulato que acelera carros

Não é minha culpa

Não é minha culpa do look que trago em mim

De dia odeiam-me

De noite amam-me

Vamos duma vez acabar com as farsas

Mulato é o ódio e o amor e as raças

Eu sou um cão de raça

Aqui só passa a minha raça

Aqui só passa a minha raça

Cadela de raça

Aqui só passa a minha raça

Raça

Eu sou preto da senzala a morar numa favela

Sou dono da terra sem nunca ter mandado nela

Com os amigos quero paz, com os irmãos faço guerra

Por isso sou explorado na minha própria terra

Eu sou o único rico que vive na miséria

Vivo da pena que sentem de mim, vivo da miséria

Enteado do mundo civilizado, filho da miséria

Sonho para ver se acordo livre da miséria

Expulsei colonos, mas nunca o colonialismo

Vi a merda, baixei a tampa e não puxei o autoclismo

Por isso é que a minha casa cheira mal

Preto explora preto, cheira a tempo colonial

Mas essa guerra vem do tempo tribal

Traí pretos como eu para os brancos do litoral

E os brancos no litoral fixaram a capital

Puseram os filhos mulatos mais próximos do capital

Por isso pretos como eu que não podem ter a cor igual

Batem-se para ao menos terem a cor do capital

Mas deixem-me dizer-vos a verdade inteira

A minha religião, irmãos, também é verdadeira

A minha catedral é palhota da curandeira

E África cura tudo por isso é hospitaleira

Eu sou um cão de raça

Aqui só passa a minha raça

Aqui só passa a minha raça

Cadela de raça

Aqui só passa a minha raça

Raça

Eu sou branco, vivo das casas da zona chique

Polana e Sommerchield, na garagem estaciono um Jeep

Não sou bantu, mas há séculos que sou vip

Nas terras de moçambique nasci, eu sou daqui

Ou das terras de Portugal

Ai cruz credo, José e Maria, vinho e Bacalhau

Futebol, clube do Benfica ou do Porto ou do Sporting

Luso vanguardista no desporto

Na vanguarda do investimento privado

Dono da língua, dono da obra, dono das acções do Banco

Dono da arrogância, mas deixa explicar um bocado

É que desde a minha infância que sou bem tratado

Cresci no ensino privado ou cheguei contratado

Pretos e mulatos, meus primos subordinados

Ou irmãos injustiçados, também sou Cardoso

Branco suicida, Jornalista do povo

Colonialista de novo, pago o preço da cor

Da minoria que educou uma sociedade pela cor

Luz verde no semáforo das raças

Em caso de acidente, não estou no hospital das massas

Branco bom patrão, na hora das graças

Fascista oportunista na hora das desgraças

Eu sou um cão de raça

Aqui só passa a minha raça

Aqui só passa a minha raça

Cadela de raça

Aqui só passa a minha raça

Raça

Nós bhai é tudo irmão

Nosso vida é fazer negócio, nosso política é alcorão

Nós dar nome, esse país dar tempero e religião

Moçabim-bico, rajá e mendi na mão

Branco, preto e mulato é tudo cliente do coração

Mas bhai só casar com bhai, nós manter nosso tradição

Esse não é racismo não, pensa um bocado

Nosso criança habituou ver, preto como empregado

Preto carregar saco no loja no armazém

Preto não gostar salário dizer que bhai é monhé

Sim bhai é monhé, monhé gosta mesquita

Gosta carro com motor potente para fazer corrida

Gosta dar esmola pobre quando chega sexta-feira

Gosta amigo mulato, gosta fumo e bebedeira

Mas essa brincadeira termina mês de jejum

Num vai na discoteca, não faz formula um

Usar cofió, esquecer garrafa de rum

Esse mês é sagrado, bhai não faz mal nenhum

Monhé dono da loja sim, monhé comerciante

Fazer dinheiro circular, ser bom negociante

Monhé empresário, moçambicano de raiz

Nós fazer funcionar economia deste país

Eu sou um cão de raça

Aqui só passa a minha raça

Aqui só passa a minha raça

Cadela de raça

Aqui só passa a minha raça

Raça

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What is "Cães de Raça (part. Guto)" by Azagaia about?

A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique. The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone. He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities.

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