A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.
The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone.
He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities.
A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.
A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.
The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone.
He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities.
A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique.
Mulato é o ódio e o amor e as raças
The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone. He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities. The song details trying to fit into Portuguese culture, being called an exclusivist, and the contradictions that follow.
It's a blunt, almost mathematical equation for the mixed-race experience. The line doesn't offer resolution, just states the volatile components that define the position.
The way 'Aqui só passa a minha raça' repeats, turning from a declaration to a kind of grim mantra, sticks with you.
LyroVerse editor's notes are interpretation guides, not final truth. If something looks off, use comments, reporting, or Contact.
The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.
Eu sou mulato né? Sou mulato sem bandeira
Desde a guerra colonial que não tenho trincheira
Pai branco intelectual, mãe preta lavadeira
Quis ser igual a ele, mas sem esquecer minha parteira
Quis ser progressista, chamaram-me exclusivista
Quando pedi ao fascista Salazar que me chamasse português
Que eu até era benfiquista, bebia vinho do porto e até era racista
Mas também fui independentista, revolucionário intelectual, mafalalista
Deu lugar a Craveirinha passando por Noémia, de Sousa
Quem disse que a minha vida é só boémia
Na tuga o assimilado, português de segunda
Na terra condenado à mecânico ou prostituta
Ninguém vence a minha luta
Se a mulata arranja job dizem que deu a fruta
E quem convence que a má conduta de um mulato que acelera carros
Não é minha culpa
Não é minha culpa do look que trago em mim
De dia odeiam-me
De noite amam-me
Vamos duma vez acabar com as farsas
Mulato é o ódio e o amor e as raças
Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça
Eu sou preto da senzala a morar numa favela
Sou dono da terra sem nunca ter mandado nela
Com os amigos quero paz, com os irmãos faço guerra
Por isso sou explorado na minha própria terra
Eu sou o único rico que vive na miséria
Vivo da pena que sentem de mim, vivo da miséria
Enteado do mundo civilizado, filho da miséria
Sonho para ver se acordo livre da miséria
Expulsei colonos, mas nunca o colonialismo
Vi a merda, baixei a tampa e não puxei o autoclismo
Por isso é que a minha casa cheira mal
Preto explora preto, cheira a tempo colonial
Mas essa guerra vem do tempo tribal
Traí pretos como eu para os brancos do litoral
E os brancos no litoral fixaram a capital
Puseram os filhos mulatos mais próximos do capital
Por isso pretos como eu que não podem ter a cor igual
Batem-se para ao menos terem a cor do capital
Mas deixem-me dizer-vos a verdade inteira
A minha religião, irmãos, também é verdadeira
A minha catedral é palhota da curandeira
E África cura tudo por isso é hospitaleira
Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça
Eu sou branco, vivo das casas da zona chique
Polana e Sommerchield, na garagem estaciono um Jeep
Não sou bantu, mas há séculos que sou vip
Nas terras de moçambique nasci, eu sou daqui
Ou das terras de Portugal
Ai cruz credo, José e Maria, vinho e Bacalhau
Futebol, clube do Benfica ou do Porto ou do Sporting
Luso vanguardista no desporto
Na vanguarda do investimento privado
Dono da língua, dono da obra, dono das acções do Banco
Dono da arrogância, mas deixa explicar um bocado
É que desde a minha infância que sou bem tratado
Cresci no ensino privado ou cheguei contratado
Pretos e mulatos, meus primos subordinados
Ou irmãos injustiçados, também sou Cardoso
Branco suicida, Jornalista do povo
Colonialista de novo, pago o preço da cor
Da minoria que educou uma sociedade pela cor
Luz verde no semáforo das raças
Em caso de acidente, não estou no hospital das massas
Branco bom patrão, na hora das graças
Fascista oportunista na hora das desgraças
Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça
Nós bhai é tudo irmão
Nosso vida é fazer negócio, nosso política é alcorão
Nós dar nome, esse país dar tempero e religião
Moçabim-bico, rajá e mendi na mão
Branco, preto e mulato é tudo cliente do coração
Mas bhai só casar com bhai, nós manter nosso tradição
Esse não é racismo não, pensa um bocado
Nosso criança habituou ver, preto como empregado
Preto carregar saco no loja no armazém
Preto não gostar salário dizer que bhai é monhé
Sim bhai é monhé, monhé gosta mesquita
Gosta carro com motor potente para fazer corrida
Gosta dar esmola pobre quando chega sexta-feira
Gosta amigo mulato, gosta fumo e bebedeira
Mas essa brincadeira termina mês de jejum
Num vai na discoteca, não faz formula um
Usar cofió, esquecer garrafa de rum
Esse mês é sagrado, bhai não faz mal nenhum
Monhé dono da loja sim, monhé comerciante
Fazer dinheiro circular, ser bom negociante
Monhé empresário, moçambicano de raiz
Nós fazer funcionar economia deste país
Eu sou um cão de raça
Aqui só passa a minha raça
Aqui só passa a minha raça
Cadela de raça
Aqui só passa a minha raça
Raça
A raw, sprawling rap about mixed-race identity and colonial hangover in Mozambique. The phrase 'mulato sem bandeira' sets the tone. He's a mixed-race person without a clear flag or nation to belong to, caught between identities.
Azagaia performs "Cães de Raça (part. Guto)", and this lyric page sits inside the Azagaia catalog on LyroVerse.
Yes. The page carries the LyroVerse editor's note "Azagaia's 'Cães de Raça' and the Mulato's Flag", followed by the full lyric and related songs.
Yes. The related section below points to Carne de Canhão (part. Hélio Bentes) and Soldados da Paz with a short reason for opening each page next.
Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Azagaia's lyric pages.
Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.
No listener comments on Cães de Raça (part. Guto) yet.
We only count reactions from signed-in listeners so the scores stay clean and trustworthy.
A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.
Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.