Baltazar Violeiro e Martinho
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Moenda da Usina

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Lyrics

Moenda da Usina

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Sentindo saudade da roça

Terra que era nossa resolvi rever

A tempos que eu não voltava

Ao lugar que eu morava e que me viu crescer

Andar pelas verdes campinas

E a água da mina de novo beber

Mas confesso quando lá cheguei

Ao lugar onde a infância passei

Quase não pude reconhecer

Não havia mais os arvoredos

Cheguei a ter medo da evolução

A paineira de tronco frondoso

Estava em repouso debaixo do chão

Rego d’água movia o monjolo

Secou o seu solo com a devastação

E a madeira dos nossos currais

Com o fogo dos canaviais

Só ficaram cinza e carvão

Nossa casa meu primeiro abrigo

Talvez por castigo nesta solidão

A varanda tinha desabado

Somente ficou de pé o salão

Quando entrei pisando no entulho

Talvez por orgulho do meu coração

Encontrei um quadro sem moldura

Lá num prego da parede escura

Com a fumaça do velho fogão

Com meu lenço tirei a poeira

Então a primeira imagem surgiu

Era a foto daquela fazenda

Que hoje as moendas da usina engoliu

E na sombra da velha paineira

Boiada carreira na foto saiu

Vi meu pai com seu cavalo branco

Na verdade confesso sou franco

Nessa hora meu pranto caiu

Apertando no peito o retrato

Pressenti de fato meu pai e meus irmãos

Ouvi passos pelo assoalho

E o cheiro do alho invadiu o casarão

Pois mamãe fazia na cozinha

Arroz com galinha verdura e feijão

E a maninha com delicadeza

Colocava o forro na mesa

Pra servir a nossa refeição

Parecia tudo tão real

Que até senti mal de tanta emoção

Resolvi dali me retirar

E de volta pegar o velho estradão

E levando somente comigo

Este quadro antigo pra restauração

Muito triste voltei pra cidade

Mas voltando a realidade

Sei que os tempos jamais voltarão

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