Biá e Dino Franco
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Encontro de Poetas

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Lyrics

Encontro de Poetas

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(Falado)

Madrugada,

O ruído das máquinas possantes bem mais quietas

E a cidade menos nervosa, sem muita agitação

Fui ouvir a simplicidade de dois poetas

Que vieram falar de coisas simples lá do meu sertão.

Nessa hora tudo parou, o silêncio foi profundo

E pelo meio desta floresta de cimento armado,

Ouvia-se a viola que me calava fundo

Falei de saudade do meu sertão amado.

(Cantado)

Não há, não há lugar igual aqui

A lua faz morada no sertão em que nasci ...

(Falado)

Um poeta falou do meu passado

E também de minha infância

E meu ranchinho, minha antiga moradia

Falou da natureza

E de uma porteira velha, onde num mourão

João Pacífico deixou sua poesia.

(Cantado: Mourão Da Porteira)

Lá no mourão esquerdo da porteira

Onde encontrei você pra despedir

Tem uma lembrança minha derradeira

É um versinho que eu nele escrevi

(Falado)

E continuou falando de amor

Quem amava com firmeza

Falou de Chico Mulato, o maior dos cantador

Falou de sua amada

Aquela, aquela cabocla Teresa

Que todo sertão conhece

Por sua história de amor

(Cantado: Cabocla Teresa)

A tempo eu fiz um ranchinho

Pra minha cabocla morar

Pois era ali o nosso ninho

Bem longe desse lugar ...

(Falado)

E falou com emoção

Pois falou com tanta mágoa

Daquela sua promessa

Daquela seca tremenda

Meus olhos não resistindo

Caiu mais um pingo d'água

Lembrei de minha boiada

Lembrei da minha fazenda

(Cantado: Pingo D'Água)

Eu fiz promessa

Pra que Deus mandasse chuva

Pra crescer a minha roça

E vingar a criação

Pois veio a seca

E matou meu cafezal

Matou todo o meu arroz

sapecou todo algodão ...

(Falado)

E a madrugada se foi

Se foi o som da viola

Voltei pro meu gabinete

Pra outro dia enfrentar

Mas Deus que é sertanejo

A minha mágoa consola

Com meu pedação de sertão

Eu vivo sempre a sonhar

(Cantado)

Eu vou dizer com toda sinceridade

O que ainda mora no meu coração

Estou vivendo na grandeza da cidade

Mas não esqueço meu pedaço de sertão.

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