César Oliveira e Rogério Melo
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Quando me perco num grito

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César Oliveira e Rogério Melo visibility2 visits Video on page
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Quando me perco num grito

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Eu venho enforquilhado

Nesta guitarra baguala

Que até parece que fala

Num ponteio debochado

O bandoneon me faz costado

Amadrinhando os demais

No chão dos meus ancestrais

Abro meu peito agora

E entro arrastando espora

Na terra dos marechais.

Venho do tempo em que a potrada "veiaca"

Tinha "curnilho" e maçaroca na cola

E matreriavam quando um par de boleadeiras

Só por matreira faziam um vôo pachola.

O entrevero das potreadas e das domas

Moldaram a estampa do taura em cima das garras

De peito aberto na volteada de um rodeio

Pealando anseios de sobre-lombo e cuchara.

Este costume de viver pelas estâncias

Esta mania de cruzar de um pago ao outro

Peguei faz tempo sou do lombo do cavalo

Laço e pealo e não tenho medo de potro.

Trago na alma uma ansiedade xucra

De abrir meu peito e cantar a vida inteira

Pois o destino me fez taura igual a tantos

E quando canto sempre canto pra fronteira.

Sou rio-grandense maragato sem costeio

Morro peleando pra defender meu chão

Pois este apego me faz guerreiro de novo

E traz meu povo pra dentro do coração.

Ando no rastro das comparsas e das tropas

Que um certo dia se perderam campo a fora

Fiquei solito mateando entre a fumaça

Que me adelgaça a cada romper de aurora.

Talvez eu volte um dia numa trovoada

Ou na garganta de um fronteiriço cantor

Erguendo poeira num reboliço de tropa

Que se alvorota na volta de um corredor.

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