César Oliveira
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Num Dia de Mormaço

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Lyrics

Num Dia de Mormaço

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Junto às barras do infinito mais um dia vem surgindo

O sol já nasce branindo com seu entono machaço

Vermelho que nem as brasas de um pai de fogo de aroeira

Templando o céu da fronteira com previsões de mormaço

O rodeio lá dos fundos tem bicheira e carrapato

E cedo entra para o mato quando o sol quente carrega

Mas hoje é dia de banho e o índio bueno e campeiro

Não deixa nenhum terneiro escondido nas macegas

A cachorrada da estância campeia água na sanga

E D. Ezíbio arremanga sua bombacha inté o joelho

Mete o cavalo, abre o peito ó o buraco bicho fraco

E o sol vindo mais um naco, vem sapecando parelho

E assim o rodeio emboca arrastando em meio a poeira

Uma zebua caborteira que vem pisoteando a cria

Berrando e cheirando a terra atropela na cuscada

Que vem latindo assolheada com o sol do meio dia

O calor que vem de baixo se mescla ao que vem do céu

Parece que um fogaréu vai levantar sobre as pedras

Queimando o couro do índio que pisa o chão da mangueira

Guasqueando a sina campeira que Deus lhe deu por ser quebra

E quando o mormaço brabo vai calmando ao despacito

A tardinha vem no grito de algum tajã do banhado

Que abre as asas pachola onde o céu se adelgaça

Medindo quase uma braça no horizonte encarnado

Coisa feia é mormaceira que aquebranta carne e osso

Castigando o índio grosso que sente um peso na estampa

Dá inté pena da alma que parece mais miúda

Quando a empreitada graúda mescla poeira, casco e guampa!

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