Monólogo
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Monólogo
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[Corisco]
Aquela paz a gente só encontra na morte, no céu cercado de anjo
[Dadá]
Me escuta, cristino, quem morre acaba
Foi antonio mesmo que mandou lhe dizer
Que a sua cabeça ia rolar no chão
[Corisco]
Meu padin padre cícero fechou tudo isso aqui
Espero antônio das morte
Quero me topá com ele de homem pra homem
De Deus pra diabo
É o capitão corisco enfrentado o dragão da riqueza
Se eu morrer nasce outro que nunca pode morrer são Jorge, santo do povo
[Manuel]
Eu morro pelo senhô, capitão
Num é tudo a mesma coisa
Sebastião e virgulino
[Corisco]
Quer saber de uma coisa
Aquele beato não valia nada
[Manuel]
Não blasfema, meu capitão, não blasfema!
[Manuel]
Meu padin era maior que o seu lampião
[Corisco]
Não mistura sebastião com virgulino
Não mistura senão eu lhe mato
[Corisco]
Se o senhô tem algo maior a dizer
Pode contar que não tenho medo
[Corisco]
A gente saiu derrotado do raso da catarina
Eu trazia virgulino nas costa
Ezequiel, livino, antônio
[Corisco]
Seus irmãos morreram, virgulino
De sua raça só tem você vivo
[Corisco]
Os menino tão sozinho com as almas penando
Quebrei tudo e não nasceu nada
[Corisco]
Nem vai nascer, depois de matar a gente se mata
Aquela paz só existe na morte
[Corisco]
Tô ferido de morte, cristino, tô ferido de morte, cristino
Aí cortamo o dia e a noite
Quando de longe apareceu sebastião, sozinho e com fome
Tinha deixado os padi no Ceará
E fazia a mesma penitência de nosso senhor Jesus Cristo
Meteu a mão na frente e foi dá socorro à lampião
Cuidava da ferida e mandou virgulino deixá o cangaço pra não morrer
Virgulino não teve medo e invocou o padin cicero
Sabe o que sebastião respondeu?
Que padinho cicero é inimigo de Deus
Que Deus era ele
E ai quis tirar as arma de lampião
E botá uma cruz no lugar
Te arrespeita santo safado
Lampião bateu, cuspiu, chutou a cara dele
Homem nessa terra só tem validade
Quando pega nas armas pra mudar o destino
Não é com rosário não, satanás, é no rifle, no punhal
[Manuel]
Mentira! Mentira! Mentira!
[Rosa]
Sempre num disse que ele só era grande aí na sua cabeça!
[Dadá]
Virgulino era grande, mas também ficava pequeno
[Corisco]
É mentira!
[Corisco]
Tenho medo de viver sonhando com a luz de bala
Que joguei em cima do bom e do ruim
Tenho medo do inferno
E das alma penada que cortei com meu punhal
Tenho medo de ficar triste e sozinho
Como gado berrando pro Sol
Tenho medo, cristino
Tenho medo da escuridão da morte
É verdade!
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