Elber Mota
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A Anti-Novela

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Lyrics

A Anti-Novela

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Saiu lá da favela pra entregar uma encomenda pra um filhinho de papai no asfalto

Não era traficante mas sua mãe tava doente precisava de grana no ato

Dezenove anos, já com dois filhos nas costas, a mulher morreu no parto do menor

Em troca do dinheiro para a compra dos remédios aceitou ir entregar o pó

No ônibus que ia para o bairro do barão na sua cabeça o filme da sua vida via

Não tava mais vendendo seus doces na passarela, pois o rapa agora já não permitia

Mas não desanimou e foi vender na sinaleira, pensava nos filhos pra se animar

Mas lá o dia inteiro tudo o que ele via era janela de carro se fechar

Sua mãe o ajudava, mas ela caiu doente, lavar roupa ela não pôde mais

E a vida a cada dia foi ficando mais difícil, o homem a necessidade é que faz

No lugar marcado pra entregar a mercadoria um carrão bacana encostou

Era o cliente lá da boca que chegava, "entre aí no fundo" ele falou

Outros dois estavam no carro com ele e disseram que o pó queriam ver

Lhe deram o dinheiro como fora combinado, só que não deixaram-no descer

Ele era novato, deixou que os caras cheirassem enquanto ainda estava ali

Agora os filhinhos de papai já viajando estavam querendo se exibir

"Meu velho, cê agora vai ver com quem tá andando!!" e em frente ao módulo policial

Enquanto passavam bem devagar eles cheiravam "sabem que meu pai é senador, é federal!"

Desceu do carro numa rua escura e foi andando mas quando o carro do playboy sumiu

Uma viatura apareceu de repente: coronhada a cabo de fuzil

Jogaram-no na mala e o levaram pro areal, ali já sabia que ia morrer

Decide falar logo tudo aquilo que pensava e com ódio começou dizer:

"Vocês acham que matando pobre fazem justiça mas só enxergam o que querem ver

Os maiores marginais desse país são aqueles a quem vocês têm que obedecer!"

De raiva nenhum tiro eles dispararam

Foi espancado até morrer

Sei que você não gostou dessa história meu amigo,

Mas nem tudo no Brasil é novela de TV

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