Ernesto Nazareth
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Bicyclette-Club

Bicyclette-Club lyrics by Ernesto Nazareth. Tu não sabes quais são minhas preces Quando me apareces meigamente santa! Canta a lágrima do meu desgosto Quando...

Ernesto Nazareth visibility1 visits Video on page
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Lyrics

Bicyclette-Club

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Tu não sabes quais são minhas preces

Quando me apareces meigamente santa!

Canta a lágrima do meu desgosto

Quando ao ver teu rosto, sacrossanta cruz

Ele encanta, me seduz, fascina!

Osculá-lo almejo! Sensação divina!

Vem! Consente que eu, virginalmente

Guarde um simples beijo nesse altar de luz!

Teus olhinhos são dois passarinhos

Dolorosamente beliscando a gente!

Beija-flores que nas minhas dores

Vêm beber o sangue desse meu sofrer

Neste pobre coração magoado

Todo beliscado nos azuis refolhos

Vêm teus olhos a sorrir, tristonhos

Nos meus tristes sonhos, nos meus ains bulir

Basta que eu ouça o teu falar

Para uma estrela em mim… Brilhar!

Eu ouço o mar e a voz dos céus

A voz queixosa de uma rosa, orando a Deus!

Minha alma, louca, por te amar

Enche-me a boca a te escutar!

E quando um beijo vou roubar

Foge a tua boca, para não m'o dar

Não sei por que a minha dor

Sente se falas tal condão

Que se transmuda numa flor

E logo, em flores, a comprimir meu coração!!

Vendo-te bela e meiga, assim

Fico com pena até de mim!

E quando um beijo vou roubar

Foge o teu rosto

Para não m'o dar

Si o teu rosto que de mim se furta

Quando leva um beijo, cheira

Mais que a murta!

Quem o beija de manhã, primeiro

Sente logo o cheiro matinal da flor!

Teus cabelos, com que a fronte enlutas

Cheiram mais que as

Frutas dos vergéis rorantes!

E essas gotas de suor, brilhantes

Cheiram mais ainda que os cristais da flor

Vens ao longe? O teu rosto flutua

Eu vejo nele a Lua que, num casto véu

Toda envolta num saudoso fluido

À noite, num descuido, nos caiu do céu

Dos sorrisos que, chorando, afago

Vêm desabrochando no teu rosto mago

Vejo os frisos que o favônio brando

Faz, assim, brincando de um lago à flor

Mudas liras, solitárias liras

Com teu rosto inspiras – divinal Castália!

Ai, que gosto ver assim teu rosto

Como a simples dália de amarela cor

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