Facção Anti-Sistema
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Não Existe Amanhã

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Lyrics

Não Existe Amanhã

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Pra quem mora aqui nessa vila não existe amanhã, não

existe paz, não existe irmão ou irmã, só existe

revolta, que bosta, senhora implora, melhora,

resposta, não rola e agora? quem vai dar uma

assistência, pra uma familia pedindo clemência, a

sentença pra quem mora aqui na favela, é o sistema que

te explora, insita a guerra, vide Império lado sul,

aqui não é diferente de Pirituba, Guarulhos, da Cidade

Tiradentes, me entende, somos todos bastardos da nação

dos trezentos e sessenta graus de destruição, que Deus

tenha dó dos que ainda tem fé, que mantêm a sua e minha

familia em pé, eu sei que ele quer salvar o moçinho e o

bandido, o pobre e o rico, o traidor e o traido, toda

vez que acordo me sinto pronto pra batalha e pra

desgraça, ou a vitória se for conquistada, uma vida

inteira de conflito externo e interno, a incerteza do

destino é um eterno inferno, a sorte tá lançada e o

diabo já deu o preço, a bocada tá mais perto que a

agência de emprego, pra zua tem mais de cem, pra

ajudar não tem ninguém, não existe o amanhã, tô te

dando o porque

Não existe amanhã, pra quem vive nessa vila

Faça uma preçe, pra se mantêr longe dessa peste, dessa

febre, uma pá de mano iludido pelo crime, pelo cofre do

banco, pela roupa da vitrine, aí é um, dois, pra sair

pro arrebento, mais aí e depois, qual que vai ser seu

argumento? quem cresce no crime disperta o ódio dos

bico, você conhece o regime e não escapará disso, com

isso, perdemos mais um mano na armadilha, mais uma

derrota na luta da vida, toda paz desse mundo se

sacrifica, no ataque, revolta, corra atráz do futuro,

a auto-estima não bate na porta, a única certeza que

nós temos é da morte, o resto precisa ser conquistado,

tem que ser forte, sorte, lágrimas, suor e sangue, a

luta que é diaria e bem pior que antes, não existe

amanhã, assim pôs o sistema, vivo cada dia como se

fosse o último nesse planeta, domando o desespero,

correndo contra o tempo, quem adía a própria morte

também é um herói do gueto

Não existe amanhã, pra quem vive nessa vila

A minha alma tá armada e apontada para cara do

sossego, dismascarar a farsa tras a calma ao seu

tormento, o gueto vive, sobrevive a cada provação, meu

povo é forte, será muito mais quando tiver união, a mãe

lavadeira, o pai carpinteiro, a filha desempregada e um

filho detento e mais dois pequenos é só um exemplo e

não é o pior, em prol do dinheiro mano se reduz ao pó

e pelo pó, pela pedra, pelo álcool em excesso, uma

escola por vila, em cada esquina um boteco, é só uma

das armadilha que todo dia o mano cai, sem justiça,

sem paz, troxa aqui não encontra mais, onde tão meus

manos? que rumo tão tomando? caminho longo, estranho,

bole outro plano, me explique melhor onde você quer

ficar, do lado dos mortos, ou dos que vivem mais? não

espere por político, milagre de pastor, baú da

felicidade ou ajuda de doutor, a força de vontade tem

que vir de você mesmo, esse é o combate, conseguir sem

perder tempo, milhares de pessoas morrem todo ano, na

maioria pobres sem estudo ou trampo, faça sua vida,

controle sua história, se vai haver ou não amanhã cabe

a você a resposta

Não existe amanhã, pra quem vive nessa vila

Aí soldado, não deixe ninguém destruir a sua vida,

encontre uma razão pra viver, tire o ódio do seu

coração, proteja seu filho, saiba perdoar, ganhe

dinheiro mas não deixe o dinheiro te ganhar, seja

verdadeiro consigo mesmo ladrão, que Deus ilumine meus

primos e minhas primas, os virá revolucionários

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