Face da Morte
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Caipira

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Face da Morte visibility7 visits
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Lyrics

Caipira

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Ei, irmão

Cresci em meio ao crime, mas não sou ladrão

Respeito quem é, mas só quem é

Quem não é e diz que é eu considero mané

Ganhou qualé?

Pois quem é não gostaria de ser

Já ouvi isso de ladrão considerado,

De atitude e proceder

Aí Cachorrão, aí Nei

Não esqueci de vocês

Sou apenas mais um da periferia

Quem rima aqui é um humilde caipira

Que se vacina de humildade

Pra não ser contaminado pelo vírus da vaidade

Não mais nem menos inteligente

Pareço você, que também é competente

Seja persistente, juntos vamos vencer

Não deixe que a inveja tome conta de você

Estenda sua mão

Não ria da desgraça do irmão

Agradeça a Deus pela vitória do outro

Não dê mancada pra não amanhecer morto

Não quero simplesmente

Bater foto da minha gente

E apresentar ao sistema,

Me entenda

Eu quero ser a tinta

Pro artista cego que pinta

Realizar seu trabalho

Um novo quadro na vida do proletário,

Do povo trabalhador, do lavrador, do operário

Ser o elo que une a foice e o martelo

O instrumento que liberta o detento

Aquele que mata a sede de regeneração do ladrão

Que junta o povo pra fazer revolução

Ser como a água que nasce nos montes

Lavando o sangue que foi derramado antes

Se transformar em rio e ser as veias da Terra

Ser a bandeira branca em meio a essa guerra

O breque no tambor,

E girando o gerador

O senhor é meu pastor e nada me faltará

Sou apenas um caipira aprendendo a rimar

(Quando me lembro

Dos meninos do sertão

Olho pro céu

E vejo eu entre os pardais

Catando estrelas,

Desenhando a solidão

Ouvindo histórias

De fuzis e generais)

Como já disse, eu sou igual a você

Eu faço Rap, mas não pra me crescer

Não sou estrela de TV

Não sou superstar fabricado pela Globo

Sou um guerreiro na batalha pelo povo

Mais um nesse jogo

Posso até parecer bobo,

Mas não

Periferia, favela

Quem mora lá sabe o que acontece nela

Não precisa ouvir no Rap

Muito menos ver na tela

Minha intenção, sangue bom,

Não é dizer aquilo que você já sabe

O que eu quero, ladrão, é provocar o debate

Elevar a discussão,

A troca de informação entre os irmãos

Porque o ensino não é verticalizado

Não podemos seguir tudo que está estipulado

Pra não ser manipulado é necessário

Estabelecer as nossas próprias metas

Só dessa forma sairemos da merda

Tem um ditado que dizia

Que cabeça vazia é oficina do diabo, tá ligado?

Muitas vezes quando venho do show

Dou uma parada lá no café do posto

E muitas vezes me bate o desgosto

Ao ver uma tiazinha

Na madrugada fria juntando latinha

Minha vontade é de chorar

Com a viola que meu tio tocava

Que ponteava e cantava aquelas modas

Que sempre tinha história

Isso eu trago na memória

Desde o meu tempo de criança

Quando os meus olhos derramavam esperança

Hoje eu cresci, mas mesmo assim não desisto de lutar

Sou apenas um caipira aprendendo a rimar

(Quando me lembro

Dos meninos do sertão

Olho pro céu

E vejo eu entre os pardais

Catando estrelas,

Desenhando a solidão

Ouvindo histórias

De fuzis e generais)

Eu agradeço a você por ouvir nosso som

Seja em fita ou CD, até mesmo em vinil,

O importante é que ouviu

E tentou entender

Essa humilde mensagem que eu transmito a você

No barraco, na cela, no trabalho, no rádio do carro

Seja onde for, no litoral, no interior, nas capitais

Cada dia que passa nosso som cresce mais

Contagia o idoso, enlouquece os moleque

Agora é fita dominada, pro Rap não tem breque

Agradeço a Deus pelo dom de escrever

Encontrei pra minha vida outra razão pra viver

Eu já tinha três motivos:

O Jonathan, o Bruno, a Joice, meus filhos

Todos três com a minha mina, Carmelita

Que maravilha,

É poder gritar pra todos que você tem família

Quase pra tudo nesse mundo

Sigo exemplo do meu pai que vem da roça sem estudo

Mas conseguiu criar seus filhos sem cair no submundo

Sem vício

Pobre de dinheiro, mas rico em espírito

Talvez seja tudo isso

Que me livrou do crime,

Me afastou da PT, pode crer

Já sofri com desemprego,

Já entrei em desespero

Mas já presenciei o enterro de muito truta meu

Se eu tivesse ido pro crime talvez um desses fosse o meu

Mas não, graças a Deus, eu tive sorte

Hoje eu sou Aliado G do grupo Face Da Morte

Considerado no Brasil do sul ao norte

Pela ideologia forte que me move

Sempre na base da velha humildade

Conquistei muita amizade

Durante a minha trajetória

Já aprendi com a derrota

E já vibrei com a vitória

Por tudo isso, não desisto de lutar

Sou apenas um caipira aprendendo a rimar

(Quando me lembro

Dos meninos do sertão

Olho pro céu

E vejo eu entre os pardais

Catando estrelas,

Desenhando a solidão

Ouvindo histórias

De fuzis e generais)

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