Fernando Tordo
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Os Espinhos da Rosa

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Lyrics

Os Espinhos da Rosa

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A fome é a vida dos pobres e foi inventada

Por gente que nunca a roubou só porque a fome

É nada mas nós, que somos cientistas

Da nossa ignorância, lembramos os males do mundo

Esquecendo a ganância.

A fome é a raiva dos pobres e foi desenhada

Com lápis de sangue sugado aos de vida parada.

Mas nós, que somos heróis da nossa fraqueza,

Dizemos que o melhor ataque é sempre a defesa.

Se alguém pergunta quem foi

Que deixou tanta fome espalhada,

Aparece logo outro alguém a dizer que... afinal

Não foi nada!...

- e oferecemos cantigas, remorso a quanto obrigas...

Mais nada!

A fome tem só uma cor é negra de morte

À volta ninguém lhe resiste porque ela é mais forte.

Mas nós, piamente sentados na nossa indiferença,

Marcamos à última hora a nossa presença.

Se alguém pergunta quem foi

Que deixou tanta fome espalhada,

Aparece logo outro alguém a dizer que... afinal

Não foi nada!...

- e oferecemos cantigas, remorso a quanto obrigas...

Mais nada!

A fome tem gente por dentro a manobrar.

Tem séculos e séculos de vida passada a matar.

Se hoje a medalha é fraterna cantando-lhe o verso,

Só queria ver o que se esconde no próprio reverso.

Se alguém pergunta quem foi

Que explorou tanta gente humilhada,

Aparece logo outro alguém a dizer:

"não sabia de nada..."

- e oferecemos cantigas, remorso a quanto obrigas...

Mais nada!

A fome precisa de ter o final que merece,

Porque ela é aquilo que é, não o que parece.

Julgamos que a culpa se tapa com tapa-buraco,

Mandamos somente impotência metida num saco.

Se alguém pergunta quem foi

Que explorou tanta gente humilhada,

Aparece logo outro alguém a dizer:

"não sabia de nada..."

- e oferecemos cantigas, remorso a quanto obrigas...

Mais nada!

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