Gabriel O Pensador
Lyric guide

Cantão

Cantão lyrics by Gabriel O Pensador. A galera lá do morro tá sabendo Hoje vai ter festa na casa do Pequeno Aquele molequinho que tá sempre no Cantão Neguinho...

Gabriel O Pensador visibility15 visits Video on page
person Curated by Ethan Walker LyroVerse team
Lyrics

Cantão

The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.

A galera lá do morro tá sabendo

Hoje vai ter festa na casa do Pequeno

Aquele molequinho que tá sempre no Cantão

Neguinho tá dizendo que ele mora na maior mansão

É, a galera sempre aumenta

Mas a cachanga é de responsa, no 550

Tem deck, piscina, quem vê não imagina

Que o Pequeno mora lá

- É, o cara é gente fina

Ele desce todo dia a pé pro Cantão

Junto com um pretinho que se chama Janjão

Às vezes com o Nem, às vezes com o Baya

Às vezes sem ninguém mas tá sempre lá na praia

Chega sozinho e todo mundo já conhece

Chega cedinho e só sai quando escurece

Pega o seu skate e vai direto pra favela

Pra andar no half-pipe lá da curva do S

É, nem parece que ele é filho de bacana

A aparência às vezes engana

Mas a grana, no caso, não faz diferença

Muito pelo contrário, a grana é o de menos

A galera da favela vai marcar uma presença

Hoje tem aniversário na casa do Pequeno

Eu sou do Cantão!

E lá não tem parada

Todo mundo é irmão, todo mundo é camarada

Eu sou do Cantão!

E lá não tem caô

Todo mundo é peão, todo mundo é doutor

Eu sou do Cantão!

E lá não tem errada

Um aperto de mão vale mais que uma mesada

Eu sou do Cantão!

E lá não tem terror

Amizade não tem classe nem cor

Ele mora ali de frente pro mar, mané, mas é pertinho do morro, a galera vai a pé

Pra entrar no condomínio tem até segurança

Mas não barrou ninguém!

Vâmo pra festança!

Olha quanta coisa bonita!

- Pequeno!

- Peraí maluco num grita!

- Ele mora ali naquela casa que tá cheia de gente

E cheia de carrão estacionado na frente

Todo mundo chique, de roupa social

E a gente assim largado, vai até pegar mal

- É melhor sair fora pra não pagar mico

Isso é festa de rico

Não é pro nosso bico

- Que isso, Chiquinho? Nada a ver!

Quando é festa lá no morro o Pequeno é o primeiro a aparecer

- É, se ele vive lá no funk e no pagode

Porquê no aniversário dele a gente não pode?

- É isso aí, Almir-Rato,

O Pequeno convidou, e se a gente não entrar vai ficar chato

- Vâmo nessa, galera, quem não deve não teme

O Tripa sempre vem aí jogar vídeo-game

Diz pra ele Negão!

- Eu até ranguei aí outro dia, meu irmão!

Não tem erro não

- Demorô!

- Aí, ó o Pequeno aí fora

De bermuda e chinelo

- Chegaí!

- Vambora!

- Tá rolando um refri, cachorro e coxinha

E tá sobrando um monte de gatinha

E o Pequeno cresceu e nem se lembra dos presentes que ganhou

Mas da festa ele nunca se esqueceu

A família reunida, os colegas da escola

A galera lá do morro e só discão na vitrola

Se esqueceu até do beijo da menina

Mas se lembra da galera se jogando na piscina

As lembranças do tempo de moleque no Cantão

Ficaram marcadas na cabeça e no coração

Como aquele cara que não tinha as duas pernas

E subia num skate se arrastando na favela

A força de vontade daquele aleijado

Simbolizava a humildade e a batalha do favelado

E a coragem que aquela gente tinha e tem

São um exemplo de vida que o moleque aprendeu bem:

Lutar pra viver, ser mais solidário

E nunca vacilar, porque não há lugar pra otário

E nem pra malandro demais

A malandragem é saber sobreviver em paz

Saber a hora de falar e a hora de ficar calado

E respeitar pra ser respeitado

E se os ricos pensam que o convívio dos seus filhos com os pobres atrapalha a educação

O Pequeno aprendeu o que nenhuma escola pode ensinar convivendo com a galera do Cantão

Ele viu que a riqueza na verdade é viver com humildade e vencer o preconceito

E ganhou o que nenhum dinheiro pode comprar: A amizade que até hoje guarda dentro do peito

E a galera até hoje se reúne lá no canto

Uns todo dia, outros nem tanto

Alô Gebara, Vaguinho, Pamonha e Passarinho

Bonito, Creck, Bila, Boc, Xêra e Maluquinho

Tim Dorê, Pinel, Suruba e Gargamel

O Night entrou pro bicho e foi mais cedo pro céu

Abobrinha se mudou pra Fortaleza

O Déo já é papai e é fiscal da natureza, beleza,

O Janjão virou piloto de asa e, quem diria,

O Nenô virou crente e vai à igreja todo dia!

Almir-Rato agora é professor de natação

E o Bocão criou uma associação de surfistas da favela, da nova geração

Que vão continuar a história do Cantão

Uma estória real, de paz e amor

Que hoje quem te conta é o Gabriel O Pensador

Mas há dez anos atrás, mais ou menos, era mais conhecido como Pequeno

Quick answers

What this page can answer fast

Who performs "Cantão"?

Gabriel O Pensador performs "Cantão", and this lyric page sits inside the Gabriel O Pensador catalog on LyroVerse.

Are there related songs to explore after "Cantão"?

Yes. The related section below points to Bossa 9 and Cara Feia with a short reason for opening each page next.

Where can I find more songs by Gabriel O Pensador?

Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Gabriel O Pensador's lyric pages.

Song Room

Interpretations, questions, and corrections for this song

Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.

Open Song Room
0 followers Selected insights only surface after moderation
Listener comments

What people are saying

0 comments
Add a short interpretation or memory

A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.

Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.

No listener comments on Cantão yet.