Gaucho Bagual
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Tema Bagual N° 2

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Lyrics

Tema Bagual N° 2

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Barranquear é verbo xucro

Mais velho que a monarquia

Criado em fodologia

De um modo pampeiro e franco

Pois toda a lingua falada

Tem sua definição

É uma égua num barranco

E um cuera de pau na mão

O costume é muito antigo

Quase da idade da vida

Por alguma recolhida

Pela madrugada clara

Que algum xucro tapejara

Incendiado de tesão

Descobriu a invenção

De equilibrar a taquara

Piá de estância é caso sério

Quando vai ficando homem

Pra não sucumbir de fome

Há de viver de gambeta

Há de encontrar uma teta

Escoro pra cabeçalho

Pra não tronchear o caralho

De tanto tocar punheta

Esta história é de todos

Vou contar, portanto, a minha

Cresci fodendo galinha

No maior desembaraço

Arranquei tanto cabaço

Sem cerimônia e nem prosa

E larguei tanta penosa

Renga de tanto piçasso

Fui galo por muito tempo

Desvirginei muita franga

A piça era uma pitanga

De tanto que trabalhava

Até nem sei que gosto achava

Naquela fodologia

A pobre entrava e saía

Mas porém nunca acabava

Angola, coelho, seriema,

Gansa, marreca, peru,

Tudo passava na púa

Marchando com o fodedor

Uns a ferro, outros a dor

Iam tomando no isqueiro

Nem o galo do terreiro

Escapou por ser cantor

Se escapasse algum arisco

Que me tirasse uma luz

Mas fodi até avestruz

Uma lebre e um bugio

E até a puta que o pariu

Um lagarto desgraçado

Tinha o cú de atravessado

E além disso muito frio

Depois passei pro rebanho

Já transformado em carneiro

E vou lhe dizer parceiro

Muito melhor que galinha

Aquela buceta quentinha

Que dá calor e dá frio

E até deixa um arrepio

Pelo sabugo da espinha

Assim bem despreocupado

A foda é muito gostosa

Maneada como pra tosa

Sentada no pau da gente

Tendo aquela coisa bem quente

Choromingando na piça

Chega dar uma preguiça

De dormir eternamente

Cabra sim, nunca comi

Nem marimbondo tampouco

E dum jeito meio louco

Me enrabei num urubu

Até um sapo cururú

Esculhambei da rabada

Pois nunca errei a estocada

Em bicho que tinha cú

Agora, coisa especial é uma porca

Tendo a gente por cachaço

Bem limpinha e com cabaço

No seco em noite de lua

Ela se encosta e recua

Rebola e salta pra frente

Talvez pensando que a gente

Tem piça em forma de púa

As terneiras do chiqueiro

Também entravam no ferro

E quantas vezes um berro

Soltado de sopetão

Trouxe gente do galpão

Correndo pra ver o que era

Quase pegando este cuera

Meio de guasca na mão

Aí nesse meio tempo

Depois de foder de tudo

Eu já andava cuiudo

Nas éguas de recolher

Bem cedo, ao amanhecer

Ainda na tesão da urina

Eu tinha certo uma china

E fodia a mais não poder

Um barranquito qualquer

Já estava arrumada a foda

Dava uma bombeada em roda

Cuidando de muito jeito

Pra evitar que algum sujeito

Desses que espiam a gente

Gritasse assim, de repente:

- Buenos dias, bom proveito

Onde a mulher escasseia

A coisa pega este rumo

O índio que não tem pro fumo

E não dá pra nada o que ganha

E é por isso que se assanha

Campeando substituto

Nesse velho prostituto

Dos rende-vous de campanha

Certa vez, uma changuita

Me pegou de barranqueio

E me gritou: - Credo, que feio

Cruzes, que relaxamento

Porém me espiei de momento

E vi que ela tava querendo

Só assim acabei fodendo...

Mulher é bicho ciumento

O barranqueio é uma arte

Que exige muita cautela

Tem cada égua cadela

Que a princípio se estaqueia

Vira a cara, nos bombeia

Fazendo que não tá braba

Mas na hora do acaba

Nos dá uma negada feia

Assim termino essa história

Nem alegre nem tristonha

Piçasso, punheta, bronha

Tudo num estilo só

E quem não gostou tenha dó

E vá comer um urubu

Ou deixe as pregas do cú

Na chonga dum burro-chó.

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