Jamila Mafra
Lyric guide

O Bêbado

Read O Bêbado lyrics by Jamila Mafra on LyroVerse, with linked artist context and related song paths.

Jamila Mafra visibility1 visits
person Curated by Ethan Walker LyroVerse team
Reference snapshot

The page facts to cite before the commentary

Use this page for the lyric text, linked artist context, and any LyroVerse editor's note attached to the song. Listener comments remain user-generated and should not be treated as the primary source.

Page type: lyric reference Artist: Jamila Mafra Canonical path: /jamila-mafra/o-bebado Related lyric paths: 6
Lyrics

O Bêbado

The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.

É

Hoje é mais daqueles dias

Em que eu ardentemente desejaria

Nesse mundo não ser nascida;

Ter outra vida,

Num lugar melhor, Sem ser machucada nem ferida.

Hoje

Eu me sinto um bêbado caminhando

Sem rumo pelas esquinas,

Fedendo à cachaça

E sem alegria.

Hoje é mais um daqueles dias

Em que eu preferiria nem estar viva,

Hoje eu queria ter outra realidade

E esquecer que fui pobre e doente na puberdade.

Hoje eu me sinto

Um mendigo ignorado

Que sai por aí pedindo esmola

No semáforo ou de porta em porta.

Hoje eu me sinto

Hiroshima e Nagasaki

Dez segundos depois

Das explosões das bombas nucleares.

Me sinto a criança do Timor Leste

Miserável e esquecida

Morando sozinha

No barraco de palafitas.

Hoje eu me sinto o viciado desesperado

Sem dinheiro pra comprar a droga,

Me sinto o estudante revoltado

Sem vontade de ir à escola.

Eu me sinto um favelado

Jogado no corrredor

De um hospital público brasileiro

Implorando por um atendimento.

Hoje eu me sinto a lua

Tão admirada e tão linda

Mas está sempre sozinha

Naquela escuridão vazia.

Hoje a luz do sol

E o riso de alguns me incomodam,

E tudo isso porque

Hoje eu me sinto um prisioneiro judeu

À caminho do campo de concentração

Desejando naquela hora ser um cão.

Hoje eu me sinto Freud

Tentando curar a loucura

De quem ele já tem certeza

Que nunca mais vai ter cura.

Às vezes a gente come

O pão que o Diabo amassou sem fermento,

Pois tenho certeza

Que de Deus essa desgraça sem graça não veio;

Casa caindo aos pedaços;dença e desemprego

Do Ser Divino não provém

Do tridente do mal é que vem.

E tudo isso porque

A raça humana não presta,

Nunca prestou

E nunca vai prestar!

Eu me sinto um árabe preso

Pelo exército americano em Bagdá.

Eu me sinto o bandido

Tentando fugir da polícia

No beco sem saída.

Eu me sinto a tartaruga iludida

Competindo na corrida

Contra os cavalos mais velozes

Acreditando que um dia vai chegar primeiro e ter sorte.

Eu me sinto um leproso

Em plena Idade Média

Definhando sem esperança de cura

No período das trevas.

Eu me sinto o milionário

Que de repente ficou pobre

Depois da queda da bolsa de Nova York

Na crise de 1929.

Eu me sinto a água podre do rio Ganges

Sendo obrigada a suportar por alheia ignorância

Cádaveres fedorentos dia e noite.

Eu me sinto um funcionário do INSS

Sofrendo um assalto

Em pleno dia de greve.

Eu me sinto a mosca

Morrendo aos poucos sozinha

Intoxicada pelo inceticida.

Eu me sinto a velha solteirona

Que passou a vida toda querendo alguém

Mas vai morrer sozinha sem ninguém,

Eu me sinto o vírus da AIDS

Completamente destruído

Por um vírus pior e inimigo.

Eu me sinto a menina de treze anos

Voltando do ginicologista

Segurando na mão a receita

De Metronidazol, Dermacyd e Tetracilcina.

Eu me sinto o Bill Gates sem dinheiro

E o candidato que nunca será eleito!

Hoje eu me sinto

O ator que nunca vai ganhar o Oscar,

E o viajante no caminho sem volta.

Eu me sinto eu mesmo

Nos tantos momentos que passaram

Nos quais fui tão humilhada na minha vida

Por não ter nascido rica.

Hoje eu me sinto todo o tempo que vazio passou

Sem ter acontecido nada de bom,

Eu me sinto a minha mãe

Pedindo o divórcio pro meu pai

Pelos 25 anos de infelicidade,

Exatamente a minha idade!

Exatamente a minha idade!

Eu me sinto o solo do sertão árido brasileiro

Recebendo de repente a furiosa onda de um Tsunami,

Me sinto o pobre que sonhou que ganhou na loteria

Mas acordou com as mãos vazias.

Pra falar a verdade

Hoje é mais um daqueles dias

Em que eu desejaria

Nesse mundo não ser nascida.

Pra falar a verdade

Hoje eu me sinto um bêbado

Sem destino, sem futuro, batendo a cara no muro

Caminhando pelas esquinas

Fedendo à cachaça e sem alegria.

Quick answers

What this page can answer fast

Who performs "O Bêbado"?

Jamila Mafra performs "O Bêbado", and this lyric page sits inside the Jamila Mafra catalog on LyroVerse.

Are there related songs to explore after "O Bêbado"?

Yes. The related section below points to A Saudade a Ausência and Chip Na Mão e Na Testa/ Matrix e Os Reptilianos with a short reason for opening each page next.

Where can I find more songs by Jamila Mafra?

Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Jamila Mafra's lyric pages.

Song Room

Interpretations, questions, and corrections for this song

Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.

Open Song Room
0 followers Selected insights only surface after moderation
Listener comments

What people are saying

0 comments
Add a short interpretation or memory

A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.

Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.

No listener comments on O Bêbado yet.