Jayme Caetano Braun
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Gineteando

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Lyrics

Gineteando

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A la putcha meu patrício,

Como é lindo e perigoso

Quando um bagual baixa o toso

Corcoveando num lançante

Sabendo que àquele instante

Só nos separam da morte

As rédeas e a cincha forte

Feita de couro e barbante!

E como é lindo cruzar

Enforquilhado nos bastos,

Riscando o lombo dos pastos

O mesmo que uma centelha

Ou na várzea desparelha

Sentir o bagual rodando

Pro índio sair passeando

Depois de pisar na orelha!

Quando piá, foi o prazer,

Que nunca troquei por outro

Saltar no lombo dum potro

Quando a manada saía

- Artes que a gente fazia,

Se acaso estava solito,

E depois pregava o grito

Quando o bagual se perdia!

Terneiro de marcação,

Ao se levantar do pialo,

Já me levava a cavalo

Ali, bem sobre as cadeira.

Les digo, é uma brincadeira

Que a gente faz sem pensar,

Mas é parte regular

Da aprendizagem campeira!

E cheguei até a pensar,

Pobre guri sem estudo,

No lombo dum colmilhudo

Mais quente que amor de prima,

Que Deus não fez melhor rima

Do que as esporas cantando,

Um redomão corcoveando

E um índio grudado em cima!

Cresci sabendo que o chucro

Exige muito cuidado

Mas que o cavalo aporreado

Exige cuidado e meio.

Levei algum tombo feio

De grande e até de pequeno

Mas cavalo que eu enfreno

Dá pra dançar num rodeio!

Mas pra aquele que não sabe

Ensino como se faz,

- É a moda do capataz

Da estância onde fui guri -

E posso mostrar aqui,

Em linguagem resumida,

As passagens dessa lida

Da forma que eu aprendi.

Me ajuda, amigo parceiro,

Pega um laço, eu pego outro,

Laça de vereda o potro

Bem ali contra o gargalo

Deixa que corra que eu pialo

E enforca, que se boleia,

E antes mesmo da maneia

Mete o buçal no cavalo!

Depois enfia o boçal,

Porque o bagual não se amima,

Que a língua fique por cima

E bem cuidado o arrocho.

E se for de queixo roxo,

É bom dar algum tirão

Que já levante do chão

Meio tonto e garrão frouxo!

Deixa, antes disso, o cabresto

Apresilhado no laço,

Pra evitar um manotaço

Se o bagual le toma a frente

- Nunca é demais ser prudente

Lidando com animal.

Se golpear, não puxe mal,

Pra evitar que se arrebente.

E depois de agarrar firme,

No mão direita, o fiador,

Leva a outra, sem temor,

Na orelha esquerda do guacho

E puxa firme, pra baixo,

Mas tendo sempre o cuidado

Pra que o bagual desconfiado

Não enxergue onde me acho!

Olha bem como se faz

Vai a carona primeiro,

Pois nem precisa bacheiro

Nessa primeira encilhada.

Lombilho, cincha apertada

Bem sobre o osso do peito.

Rabicho, pra agarrar jeito,

Pelegos, cinchão, mais nada!

Dá um nó nas rédeas, parceiro,

Que a cousa fique parelha

E depois me deixa a orelha

E vai montando no más -

Aprende como se faz,

Pra que nada te aconteça,

Cuida do potro a cabeça

e atira o corpo pra trás!

Não te preocupa com cerca,

Que tu não anda sozinho,

Saio junto e amadrinho

Pra que não haja desconto.

Finca-lhe o mango, de pronto,

E as chilenas, mas cuidado

Não olha pra nenhum lado

Pra mode não ficar tonto!

E ao passear tuas chilenas

Das paletas à virilha,

Vendo as gramas da coxilha

Ora bem longe, ora perto,

Tu compreenderás, por certo,

Essa atração sem igual

Que exerce em nós um bagual

Berrando um cmapo aberto!

Quando os corcovos pararem

Deixa correr e golpeia,

Flocha o corpo e ladeia,

Puxando em cada costado

Que o potro que é bem golpeado

Ds queixos, não se retova,

E já na terceira sova,

Quando esbarra, está domado!

Essa é a primeira lição,

Mas não esquece parceiro,

Do que te diz um campeiro,

Que não foi arrocinado:

- Um flete só é bem domado

Quando é manso de garupa

Pra poder levar num upa

A china do nosso agrado.

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