Jony Venenoso
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Jony volta pro sertão

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Lyrics

Jony volta pro sertão

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Ae, essa é a minha vida, Jony Venenoso

Logo que eu nasci eu vim morar na cidade e me tornei periculoso

Mas aê, já decidi, vo voltar pro sertão, e ae Chico, mostra como é que é irmão!

É isso mesmo Jony! Eu sempre vou estar ao seu lado, vamos voltar pro sertão e ficar sucegado!

E aê Jony! Conta da sua vida, conta do seu passado....

Você nem acredita mas um dia eu nasci

eu era uma criança bem fofinha e feliz!

Tempo de baile na roça, tempo de revolta

minha mãe já era fã dos cantor Jhon Travolta

e me batizou com o nome de Jony

quando eu fiz 3 meses já peguei no microfone

Foi então que eu vi a crueldade na TV

o Chiquinho com 2 meses me ensinou sobreviver

via os nenê praybói, mamava nas teta gorda

e eu sugava tudo e nem saia uma gota

minha mamadeira era velha, herdada da bisavó

era feita de alúminio e amarrada com cipó

o tempo foi passando e eu aprendendo as girias

já comprei um raibam, e um bonézinho pra cima

e quando eu fiz um ano eu via desigualdade

eu brincava com um fusquinha e os praybói com uma ferrari!

Já era sem massagem, falei pro Chiquinho,

vamos fazer as fitas dos brinquedos dos riquinhos

Mauricinho cheirosinho, que usava até talquinho

carrinho da For Baby e tomava leite ninho

Então eu fui lá correndo e o Chiquinho engatinhando

mais eu era mais ligeiro já estava quase andando

falei pro Mauricinho, eu sou o Jony Venenoso!

Passa tudo seus brinquedos porque eu sou cabuloso!

Ele ficou todo contente, até mostrou um dente

não entendeu o recado e a fita ficou quente

Me veio de repente, uma idéia na minha mente

convidei o praybóizinho pra brincar ali com a gente

eu tentei a paz, entende? Tentei ser bom amigo

no começo foi legal, e ele até brincou comigo

mas dai sua mãe chamou, em gritos desesperados

disse pra ele nunca mais se mistura com os favelados

você entendeu? Porque eu não curto praybói?

Vai estralhar o chicóte porque em mim ainda dói...

E ai Jony, não fica triste não, vamos pegar nossa mala e vamos voltar pro sertão

E aê Jony, aqui nessa cidade nós já vencemos

Agora nós temos que ir pro sertão, porque lá nós vamos fazer a nossa vida

Você tá ligado né Jony? Eu e o Jony nós sempre ficava brincando de carrinho

desde o berço ele sempre foi o meu amigo, ele nunca me tirou....

Depois disso o Chiquinho veio me chamar

disse que com o Mauricinho ele queria brincar

eu disse: Ta tirando? Com o Mauricinho ta tirando?

E se a mãe dele descobre? Já vem xingando!

Vi no Chiquinho aquele brilho no olhar

dava pra ver no olho que ele queria chorar

nenê que é nenê não chora! Eu tentei explicar

ele engoliu as lágrimas e engatinhou pra outro lugar

Eu pensei em sumir! É sumir jão!

Meu castelo de areia caiu tudo em minha mão

Qual era a opção? Voltar pra favela?

Eu falo sério mano! Mas não sai da viéla!

Eu andei só alguns passos, a minha mãe me pegou

eu tentei escapar, mas minha fralda rasgou

eu fiquei tudo sujo, é, já sabe mano, ele me pois de castigo

e a revolta chegou...

Foi então que eu conheci a falta da liberdade

trancado num berço eu dormi atrás das grades...

Não é pra covarde....

Porque é assim mesmo, só quem é nenê da periferia pra saber como é que é

fralda de pano, mama com kisuco, meinha rasgada no pé

mas você tem que assumir, sumi jão!

Sabe qual é meu almoço? Caldinho de feijão!

Palavras fortes né? Eu sei que corta o seu coração

mas aê, essa é a minha vida, Jony Venenoso, uma triste lição!

Um salve pra todos os nenês que estão atrás das grades

um berço nunca vai tirar a nossa liberdade! Morô?

É nóiz!

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