José Cid
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Onde, Quando, Como, Porque Cantamos Pessoas Vivas

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Lyrics

Onde, Quando, Como, Porque Cantamos Pessoas Vivas

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I - ...cantamos pessoas vivas...

É por aqui que se começa

Pelas palavras simples

Recusando a amargura

Nas margens do poema

Pelas pessoas vivas

É por aqui que se começa

Pela fúria de começar

Com a voz em liberdade

Sem muralhas no olhar

Cantando pessoas vivas

É por aqui que se começa

Pela fúria de começar

Usando palavras simples

Cantando pessoas vivas

Ensinando-as a pensar

II - Onde...

Quando percorro as margens deste rio

Jogando letra a letra, verso a verso

As idéias que hora a hora, dia a dia

Me repetem, me ensinam

O caminho do processo

Hora a hora, dia a dia, verso a verso...

Quando escrevo nas paredes o teu nome

E sinto intensamente à flor da pele

A estranha sensação de quem encontra

Esse nome, o teu nome

Voando no papel

O nome do meu hotel, liberdade...

Quando passo pela ponte deste rio

A quem também chamei de Rio Dourado

E sinto intensamente a alegria

Me encontro, e renasce em mim

O canto da verdade

O espelho da verdade, que me invade...

E parto a pensar no meu regresso

E volto a pensar na despedida

Acordo no país a que pertenço

E aprendo, e repito

A palavra proibida

A palavra esquecida, liberdade...

III - Quando...

Quando o branco da neve se confunde as ondas

Quando a nafta das ondas dissolve no mar

Quando os corpos flutuam perdidos no vácuo

E regressam sem nexo ao secreto lugar

Quando idéias se fixam na minha memória

Quando o som dos meus passos ecoa no ar

E os sonhos se perdem no fundo do meu ser

Me conduzem as portas do secreto lugar

Onde

Quando

Como

Porquê

Cantamos pessoas vivas!

Quando um povo vivia na noite distante

Avançando pesado, lento e devagar

Sonhando encontrar o limite da vida

Neste calmo, tranquilo e secreto lugar

Sono calmo, tranquilo, trancado e coberto

Me recordo com raiva de me contentar

No espelho perfecto dessas paredes

No meu calmo, secreto e futuro lugar

Onde

Quando

Como

Porquê

Cantamos pessoas vivas!

IV - Porque...

Porque os ponteiros do tempo não pararam

Nas torres das igrejas, nem ruína

E avançam calados...e discretos...

Um pouco para baixo, um pouco para cima

Porque os ventos mudaram para sempre

Apagando as pálidas imagens

Dos mitos, de caveiras, "belle-époque"

Que fugiram para longínquas paragens

Porque o sorriso voltou de novo ao rosto

Daqueles que ficaram vigilantes

Perfumando cidades e aldeias

Que deixaram de ser como eram antes

Também eu me sinto um homem novo

Do sangue que me corre pelas veias

Porque o stress levou todas as fontes

Que levaram a nevasca às aldeias

V - Como...

Como um raio de sol na porta entreaberta

Como quem tem um filho pela primeira vez

Como quem anda nu sobre a praia deserta

Como quem pisa a lama entre os dedos dos pés

Como um poema de maio sobre o meu país

Como quem dorme ao relento em pleno mês de agosto

Como as linhas da vida na palma da mão

São as coisas mais simples que me dão mais gosto.

Como quem passa sempre no mesmo lugar

Como o tempo escrevendo sulcos no meu rosto

Como a luz desenhando círculos de fogo

Entre as nuvens que sobram da linha do sol posto

Como o vento agitado na rama dos pinhais

Como a sombra cobrindo parte do meu corpo

Como o som lembrado algum tempo depois

São as coisas simples que me dão mais gosto.

VI - ...cantamos pessoas vivas. (reprise)

E depois de começar

Embarcamos na canção

Sem pontas nem grandezas

Com o povo no coração

Pra isso serve a canção

Navalha de corpo inteiro

Pra dar o golpe certeiro

Em quem lhes nega a razão

Acabar também é simples

Mais simples do que começar

Desenhamos um país

Com o máximo vigor

Sem pessoas nem fronteiras

E fomos bem adentro

Palavras certeiras...

É por aqui que se termina

Pelas palavras simples

Pra isso serve a canção

Definindo a situação

Cantando pessoas vivas...

Cantando pessoas vivas...

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