Juscelino Filho
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Parasita

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Lyrics

Parasita

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É muita morte, muita esquina

Muito comédia, pouco divina

Enfeite para revista

O banquete do ativista

E se a jornalista Beatriz

Me vê e me diz

Que vai me levar, que vou ser feliz

Lá no alto véu, brados tão ardis

Meu Deus do céu, que palpite infeliz!

Pois se ela está no sétimo céu; eu estou no quinto círculo

A praguejar contra Deus, pra deleite midiático

Que ficam acima de mim, esperando o espetáculo

De eu morrer na contramão atrapalhando o tráfego

Me chovem lá do alto e eu no meu eterno túmulo

E quão aconchegante será este meu sarcófago

Uma trágica, mágica, lápide em um diário

E no noticiário eu vou ter uma face

Pois se Querô desconfiasse

Ou seu Plínio soubesse

Que navalha na carne

Não é na JBS

Mas no pobre que desce

Ou no BOPE que diz

Vai subir ninguém!

Pois lá em cima é o lugar de quem?

Não é o seu, meu bem!

Que só desce, desce, desce, desce

E o motivo todo mundo já conhece

Quem te excita? Quem te hesita?

Quem te assusta? Quem te assiste?

Quem te resiste?

Quem te existe? Quem te existe?

Quem parasita?

E muita morte pra passar pano

É pouca sorte pra fazer plano

E plano é patamar

É degrau pra se escalar

Em que plano você está?

Médios, baixo ou alto?

Cê tá com cara no céu ou tá com a cara no asfalto?

Cê faz plano de carreira ou plano de saúde?

Ou cê faz plano de vida dentro de um ataúde?

Você prefere fazer planos ou ficar no quase?

Ou planar sob a sorte como um Kamikaze?

Mas pra quê fazer plano se o futuro é incerto?

Se você tá sem grana, se cê tá no aperto

Se você tá sem fama, se tua vida é um parto

Se tu só tem a fome te batendo na porta

Ou você tem emprego

Você tem sucesso

Enfim tem acesso

Pro seu descarrego

Faça um regresso

Diga aí, meu nego!

Você tem apego

Pelo que é impresso?

Se só ter um emprego

Te deixou possesso

Como um réu confesso

Você vai ser pego

Não sou eu que engesso

O pensar pelego

Mas não peço arrego

Pelo seu progresso

E quando perde o emprego o velho boia fria

É empregado na cruz da burguesia

Então encontra o patrão que sempre sonhara

Levanta as mãos para o céu; é doença que sara!

O patrão é bonzinho, mas que sorte tão rara!

Tá tudo tão lindo! Da hora! Tá mara!

E o patrão, lhe tirando vida, sonho e tara

Te chacoalha um Baygon e dá na tua cara

Quem te excita? Quem te hesita?

Quem te assusta? Quem te assiste?

Quem te resiste?

Quem te existe? Quem te existe?

Quem parasita?

É muita morte para meu drama

É pouco norte pra minha trama

É filme pra minha lista

Bong-Jon-Hoo é tela à vista

E se a realista Beatriz

Me vê e me diz

Não foi desta vez, mas foi por um triz

Faço um escarcéu

O que foi que eu fiz?

Frite pastel, oh seu jovem aprendiz!

Nunca conheci quem tivesse levado porrada

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo

E eu, tantas vezes reles

Tantas vezes vil

Você viu no Instagram?

Você viu no Facebook?

Essa gente vencedora

Cada alma um novo look

Eu desvio do soco

De maneira vã

Observo a nova moda

Campeã

Sabe-se que o hoje

É o ontem de amanhã

E que realidade não é Instagram

Tem ninguém que entregue

Verdadeiras erratas

Nem ninguém que carregue

Essas culpas ingratas

Fazem pelo que segue

Pose de magnatas

E que meu olho cegue

Pra não ver passeatas

Que presente nos negue

Entre atos a atas

O mal que nos persegue

Sucessão de mamatas

Só De Falco no Reggae

Sem gentalha das natas

Pra levantar a Tag

Somos todos baratas

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