Luiz Marenco
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O Forasteiro

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Lyrics

O Forasteiro

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Na sombra de um bolicho à beira estrada

Daqueles que, do mundo, se perdeu

Encontra-se uma gente reunida

À espera de um chamado de seu Deus

Perfumes de bom fumo amarelido

Paredes com suas almas penduradas

Paciências de um lugar envelhecido

E uma coragem de quem não tem nada

Apeia um forasteiro: O que é da vida?

Responde o bolicheiro: Está cansada

A gente de bombacha anda esquecida

Desiludida nos beirões da estrada

Buscamos nossa terra prometida

Um mundo pras crianças e pros velhos

O sul que nós sonhamos, onde a vida

Devolva o que branqueou nossos cabelos

Mas cada ano, a seca de janeiro

Precede um novo inverno de asperezas

Parece que o destino do campeiro

Não pode pedir mais que pão na mesa!

E, aos poucos, o que diz o bolicheiro

Se multiplica em vozes pelo ar

E volta a se calar-se o forasteiro

Junta o violão no peito pra cantar

-Já vi quase de tudo em minha vida

A séculos que ando pela estrada

Vi a morte sobre a terra prometida

E a vida sobre a terra abandonada

Vi um homem pondo fogo na colheita

Enquanto outro semeava num deserto

Já vi perto o que, ontem, era um sonho

E, longe, vi o que sempre fora certo

Um povo sonha Deus a sua imagem

E Deus devolve a terra a cada povo

Moldada no trabalho e na coragem

Que o povo usou pra levantar o sonho

Aqui é nosso inferno e paraíso

A vida é uma planta por cuidar

A que morrer por ela se preciso

O sul, somente o sul pode salvar!

Assim, falou pro povo o forasteiro

Depois montou e, envolto num clarão

Sumiu emoldurado pela tarde

Bem como o Sol dissipa a serração

Uns dizem que mais alto do que os cerros

Ele segue abençoando esse rincão

Mas muitos acreditam que essa gente

Ouviu a voz do próprio coração

O certo é que, um a um, se foi às casas

Por que havia uma planta por cuidar

Arar a terra a cada madrugada

Para a semente que há de germinar

O homem faz seu Deus, que faz o sonho

Um sonho azul maior que este lugar

Na luz que vem dos olhos dessa gente

O sul, um dia, se iluminará

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