O Homem Que Matava Políticos
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O Homem Que Matava Políticos
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Ele nasceu numa maca do lado de fora do hospital
Cheio de gente, vazio de leito
E vazio de leite era o seio subnutrido de sua mãe
Que lhe deu a morte como presente de sua recém vida
Aos sete meses, aprendeu a andar sozinho
Pois não tinha quem o carregasse
E sozinho foi vivendo frente a frente com a fome
Respirando miséria, dividindo a rua com marginais e prostitutas
Aos sete anos ainda um menino, acendeu uma vela a seu santo
E jurou vingança àqueles que nunca conheceu, mas tão sofridos quanto ele era
Os culpados? Ele já sabia de cor
Nascia ali um vingador
Com sorriso estreito, já tomado por sua sina
Foi atrás de um homem que queimou comida para ganhar votos, votos
Foram vários que a fome levou em sua linha
E o homem só sorriu no gabinete e repetia porcos, porcos
Foi tão bom vê-lo implorar
Quando a faca estava no pescoço pra cortar
Tentou em vão ser perdoado
Morreu no sangue do pecado
Em meio graça e dor
A farsa acabou
A glória cresceu
E nasceu um vingador
De dor em dor, matou mais dois que se diziam da igreja
E desviavam o dinheiro que iria pro hospital
Mesmo com sangue em suas mãos, não entendia
Eles não sentiam medo, o exemplo não servia
E queriam sempre mais, mais, mais e mais
E mais, morreram outros cinco num bordel
Gastando o dinheiro de uma escola
Todos tinham um hotel
Ficou pra quem pedia esmola
Em meio graça e dor
A farsa acabou
A glória cresceu
E nasceu um vingador
Quando acabou, todo mundo o agradeceu
O povo o aclamou e o ego rompeu
Ele agora era o centro de tudo
De mendigo ao poder
Nas ruas da cidade, só se comentava a mudança
O homem que defendia os pobres, era um deles
Ficou igual ou pior àqueles que ele tanto matou
Roubava o mesmo dinheiro
Que ajudou a devolver a quem lhe era direito
Maldito seja o traidor
Em meio farsa e dor
A graça acabou
A glória morreu
E nasceu um traidor
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