O Fracasso de Um Pai
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O Fracasso de Um Pai
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O fracasso de um pai
Quando eu vim para a cidade, eu pensei que cedo ou tarde a vida ia melhorar
Trouxe meu filhinho João, e Maria, minha paixão, para aqui poder morar
Eu ainda não sabia que ia ser de bóia-fria que eu ia trabalhar
E que apenas um salário, não dava pro necessário pra família sustentar
Era jovem meu filhinho, tinha apenas cinco aninhos, nem sabia escrever
Ainda não ia pra escola, vivia jogando bola, nada tinha pra fazer
Eu chegava acabado do trabalho tão pesado, não queria atender
O chamado do menino: "Papai, vem brincar comigo, que saudade de você!"
E 10 anos se passaram, Joãozinho já trabalhava pra ajudar a comprar o pão
Sempre que ele me encontrava, nem sequer eu lhe abraçava, não lhe dava atenção
Até que um belo dia, perguntei para Maria: "onde é que tá o João"
Ela disse, preocupada: "Já é quase madrugada, não voltou ainda não"
A partir daquele dia, senti que a nossa família começava a desabar
O Joãozinho, filho amado, voltava sempre cansado e já ia se deitar
Com o dinheiro que ganhava, em casa não ajudava, não sei onde ia gastar
E o seu comportamento passou a ser violento, não queria respeitar
Certo dia, bem cedinho, levantei devagarinho pra não acordar ninguém
Fingi que ia trabalhar e resolvi esperar o João acordar também
Segui ele pela rua e a verdade nua e crua foi aparecendo além
Já não trabalhava mais e nas mãos de marginais deixava o seu vintém
Que decepção doída que eu tive nessa vida ao ver meu filhinho João
Viciado em cocaína, quinze anos ele tinha e com a vida no chão
Eu fiquei desesperado, quis bater no desgraçado que o fez perder a razão
E o bandido, bem com calma, levantou a sua arma, me apontou no coração
Quando ia atirar, João pulou pra me salvar e levou um tiro no peito
Os bandidos se esconderam e eu naquele desespero, sem poder pensar direito
Meu filho morto nos braços, meu Deus, o que é que eu faço, o desastre já tá feito
Eu não soube dar amor e só sobrou essa dor. Agora não tem mais jeito.
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