Cidade dos Homens
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Cidade dos Homens
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Essa é uma obra de ficção
Qualquer semelhança com a realidade
É mera coincidência
Aqui não falta intriga
Raiva reprimida
Político que se acha cosmopolita
E fadiga intestinal
Aqui não tem aspirante litigante
Não falta comida pra quem tem comida
Não falta fome pra quem tem fome
Falta dignidade e sobra veleidade
E até a banalidade ficou banal
Desculpe-me se estou sendo redundante
Mais essa cidade desgovernada
É complexa e complexidade
Sem honra
Se quer desonra
Sem nada
Uma cidade sem zelo sem apelo
Uma cidade sem verso sem nexo
Que rima fome com liberdade
Que rima abandono com desemprego
Que rima indiferença com verdade
Que rima política com desprezo
Nessa cidade corre um rio
Um lago e um fato incontestável
Ali foi concebido o canal da redenção
Que virou o motivo e a razão
Pra contestar a corrupção
E gritar “pega ladrão”
Pega ladrão
Como descrever essa cidade
Um templo em cada esquina
Nos classificados a salvação
Que mistura política e religião
E políticos calados corruptos
Dês de antes, bem antes meliantes
Uma cidade cheia de praça
Até com praça engraçada
Sem banco
Com garagens exuberantes
Sem carros
Essa cidade é mesmo intrigante
De políticos comprados
O dinheiro público é lúdico
Rodoviária, poder garagem
A nata da malandragem
A nata da malandragem
Cantar cantiga louvar o rio
Se só o rio merece ser louvado
Por alimenta e enriquece
Lava a alma e sacia a sede
Mas como as mulheres
Esse rio é mau amado
Esse rio é mau amado
Mulheres gravidas, vistosas
Adolescentes, indecentes, inocentes
Amadas dependentes
Desempregadas, mas, mulheres
E por ser mulheres contestados e contestadores, bravas lutadoras
Ser mãe solteira é pauleira
Aprender a viver nessa zuera
Dessa cidade essa soleira
De filhos sem paz
De filhos sem pai
Essa cidade pacata sem pacatez
Sem tribulação sem aflição meia verdade que se desfez
Dentro dos lares aliados
De adolescentes alienados
Cidade altiva sem altivez
Sem nome sem sobrenome
Cidade de Deus
Cidade dos homens
Sem nome sem sobrenome
Cidade de Deus
Cidade dos homens
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