Maumbu
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190

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Lyrics

190

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Outro dia rotineiro, Eduarda sai de casa

Tudo escuro, 4:20, o distrito é Água Rasa

Direção ao seu trabalho, vai a pé pegar o buso

Bate de frente com um noia

Que pede um cigarro, assustada, diz não uso

Passos longos, cara fechada, coração vai batendo mais forte

Rua deserta e silenciosa, cenas de filmes de morte

Pensando no seu marido e recém-nascido que dorme no berço

A Deus pede proteção que chegue ao destino, beijou o seu terço

Receio de ser seguida, olhou pra trás e não viu ninguém

Em nome do pai, do filho, Espírito Santo, agradece dizendo amém

Lembranças do seu neném e de repente um vulto aparece

Percebe suas roupas rasgando, seu corpo tocado, cadê sua prece?

Fragilizada, perdeu seu domínio

Junto também não tem mais raciocínio

Violentada, roubada, humilhada

Eduarda reza pra não ser latrocínio

Jogada na rua, ferida, pedindo ajuda, é uma emergência

Um senhor que passava por perto, discou 190, pedindo urgência

Chego em casa cansada, segunda vez na semana

Que ela volta atrasada trabalhando em hora extra

Morava num lugar afastado de São Paulo

Atravessava a Raposo e só pensava em sexta-feira

Ligou pro namorado, avisou que tava bem

Fechou a porta do quarto e foi vestir o pijama

De dentro do armário ela escutou alguém

Um homem mascarado com uma faca derrubou ela na cama

Fica quieta e não resiste, se não se vai morrer

Ignorando o que ele disse ela gritou pedindo ajuda

Arranhava a cara dele tentando se desprender

Só que ele revoltado, golpeou a sua nuca

Ela tava atordoada, acordou toda amarrada

Sua casa revirada, o que tinha acontecido

Ela não acreditava com a força que restava

Se arrastava pra chegar no telefone fixo

Foi aí que ela sentiu sua camiseta molhada

O ferimento latejava e parecia muito sério

Ela foi esfaqueada e sua vida assaltada

Se não for resgatada, vai acabar num cemitério

Sangue escorrendo, na mente o mistério

Quase sem tempo, o destino incerto

Lutando contra a morte, ela alcançou a mesa de centro e discou 190

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