Melvin Santhana
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Nascimento

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Lyrics

Nascimento

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A escravidão virou inservidão salarial

Da saudade chão, brotou um banzo transcontinental

Nasce mais 1, nascem 2, nascem 3

Nasce em todo lugar, nasce um príncipe, um rei

Nasce o escravo da lei

Nasce a mãe, nasce a filha de quem não nasceu pra chorar

Nasce o pai

Nasce o filho de santo gerado num ventre livre

Que descansa e desperta quando nasce o Sol

Nasce o Espírito Santo pra salvar nossa pele

Nasce a chaga da plebe, é mais um no futebol

Pra tentar, prosseguir, despontar, se iludir

Nem sonhar, desistir nem pensar

Nascimento e dor, o grito chama a alma

Pra realidade crua desse corpo nu

É muito louco, é mó sufoco

Viver um dia após o outro nesse mundo cão

É difícil pra gente que se divide

De viver num país que a gente nunca foi livre

Quando o livro da gente não vai pra escola

Uma história recente, que a minha alma ainda chora

Me ignora, eu sei que me ignora

A memória da gente vai se encontrar outra hora

É no espelho, é na roupa, é no seu neto, senhora

Na feijoada da quarta ao cafezinho na mesa

O caldo de cana gelado com pastel da feira

É na batida pulsante, do rock, do funk

No samba do chico, no tom do João

Eu quero que você cante pra mim

Dance pra mim

Veja o pandeiro imaginário rodando

É assim que a gente se sente é o preto

É o ausente, é a ausência de cor

É o preto na carne, é a dor

Nascimento e dor, o grito chama a alma

Pra realidade crua desse corpo nu

É muito louco, é mo sufoco

Viver um dia após o outro nesse mundo cão

Ao olhar do tira e a dama que admira, tô na mira sempre

Como é curioso

Tô na mira sempre

Tô na mira sempre

Tô na mira sempre, como é curioso

Bastardos inglórios, o cheiro de terra, menores na frente e

Atrás um monte de velas

Pretas e pretos nas telas, bicas e becos, favelas

Que nascem nas pistas e morrem nos fundos das celas

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