Miro Saldanha
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Pedaços

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Lyrics

Pedaços

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Faz tempo que o homem navega sozinho,

Cortando caminhos por mares bravios;

Os ranchos são barcos cheios de incerteza

Que ostentam, à mesa, lugares vazios.

Vaidades campeiam por telas e espelhos,

E os sábios conselhos de quem nos criou,

Por falta de uso, o tempo desgasta

E a gente se afasta do que acreditou.

(Mas eu não abro mão do abraço

E nem da proteção de Deus!

Se a vida me arrebenta o laço,

Eu tranço os pedaços,

Pra exemplo dos meus!

E quem orienta minha sina

Me pôs na mão a crina e a fé;

Mantém firme o bocal no queixo,

O mundo no eixo e a honra de pé.)

Porque a mente esquece o que a pena não lavra

E a própria palavra perdeu o valor,

Sem porto seguro, paixões vêm à tona

E um lar desmorona por falta de amor.

Impera o consumo e não pede licença;

Já não há mais crença em qualquer religião;

E as luzes que restam, das poucas famílias,

Já são como ilhas na escuridão.

(Mas eu não abro mão do abraço

E nem da proteção de Deus!

Se a vida me arrebenta o laço,

Eu tranço os pedaços,

Pra exemplo dos meus!

E quem orienta minha sina

Me pôs na mão a crina e a fé;

Mantém firme o bocal no queixo,

O mundo no eixo e a honra de pé.)

Da minha trincheira eu encampo essa guerra,

Riscando na terra o que diz a lição;

Aparando os golpes com o corpo oitavado

E os pés bem postados, cravados no chão.

No seio daqueles que são minha gente,

Eu planto a semente, cobrindo com a mão.

Mesmo que eu não colha o fruto maduro,

Num tempo futuro, outros colherão.

(Mas eu não abro mão do abraço

E nem da proteção de Deus!

Se a vida me arrebenta o laço,

Eu tranço os pedaços,

Pra exemplo dos meus!

E quem orienta minha sina

Me pôs na mão a crina e a fé;

Mantém firme o bocal no queixo,

O mundo no eixo e a honra de pé.)

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