Brindis
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Brindis
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Essa chuva toda é tão linda
Reflete toda minha dor em um gesto tão sensível
Queria poder dançar nela como num filme
Sem ser filmada
Gélida como corpo gélido
Que peso carrego, Olorun Kosi Pure
As grandes poças ficam se chocando
Não posso deixar de perceber seu ritmo, eles vão me acelerando
Ouço cada tamborim, atabaque tocando
Ouço as saias e os panderos rodopiando
A voz do espírito me levou
Pela voz do seu Zé, seu espírito me abraçou
Diz que estou atrasada, vamos com pressa, ressaltou
Se vista de preto
Preto nunca foi opção de despir, porfavô!
O caos atrolou tanto que vi
Casas destruídas por ali
A revolução dos bichos se fez valer
Os porcos derramando sangue
Poderia ser minhas veias descer
Me mandou continuar, não poderia perecer
Todos iam pro mesmo lugar, perdendo ou vencer
A garganta queima, isso não é proibido ver
Pelo meio da rua eu continuo agir
Não vendava meu olhos pro mal que estava ali
Impotência levada, nos proibiu de progredir
Sua cabeça na minha encostou
Sua paz e sabedoria, meu coração reconfortou
Eu pude encontrar, no meio daquele mal
Um caminho de amor depois do temporal
Então é verdade que nenhum ciclo se estendeu
A minha corrida para sempre correu
Meus pés cansados não me fazem mal
Pude pegar, criança, velho, jovem, moça, homem no umbral
Não entenda mal, não fiz nada demais aqui
A única coisa que queria era me despedir
Há um amor, que sempre nos ligará a terra
E voltando enquanto não posso mais estar aqui
Volto pras ruas, meu santo me ensinou a prosseguir
E amparando cada vida triste perdida por aí
Queria ser, a que leva paz a guerra
Enquanto não pudera, levarei amor a toda vasta miséria
Eu era uma dor, e não assim quis
Fiz a ser singela
E assim, correndo por essa chuva, te encontrou
Seu corpo ferido, ele vazou
Seu último pedido ele me relatou
Peguei o coração, fui um Sol estridente
Cegando inimigo, ele nunca me achou
Levei seu coração a sua mãe, família e seu amor
Há muitas histórias por trás desses sorrisos e escapatória aqui
Sou levada, aprendi a existir
A alma dói, eu sinto muita dor
Por isso eu me curvo quando me chamas com fé, o seu protetor
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