Tempus
Read Tempus lyrics by Oscar Melindra on LyroVerse, with linked artist context and related song paths.
The page facts to cite before the commentary
Use this page for the lyric text, linked artist context, and any LyroVerse editor's note attached to the song. Listener comments remain user-generated and should not be treated as the primary source.
Tempus
The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.
Ainda ontem tínhamos dezasseis anos
E as nuvens, eram alvuras
Frágil quimera em quem me penetro
É no teu abraço que tropeço
Tu, cujo perfume me sufoca
Dormes na minha insônia perpétua
E, neste poema em que me embriago
Dor de aço, brisa noturna para-me no regaço
Ainda ontem tínhamos dezassete anos
E os dedos teus, feitos meus
Plantavam estrelas no olhar
Tudo nos mentiu e separou
Frágil perenidade do verbo amar
Onde, feitos troianos, desenhamos meridianos
Eu, cuja nudez eclodiu da profundidade
Neste débil mundo em que doí pensar-te
Desenhei a cicatriz de hemera
Vitima da sensibilidade
Ainda ontem a minha idade era a tua
E a tua minha num arvorar de cores do fim
Rasga um voo de águia na madrugada
Adormecem poetas
Desfazem-se os amantes
Sobrevivem os homens do lixo
Sem saber a qual das duas questionar o que é a vida
E nós, cujas sombras a luz já apagou
Somos um compêndio sórdido de silêncio
Outrora eco
Hoje, já não temos idade
E estas janelas mais não são do que paredes mascaradas
Pesa-nos a identidade
Dói-nos o beijo de duas almas abençoadas
Quiçá, um dia apaixonadas
Tu e eu, a quem o futuro se vestiu de sépia
Num rasgar de asa veraneio
O mesmo calor com que te anseio
Ainda ontem tínhamos cinquenta e sete anos
E o tempo era um lugar cativo
Discreto inimigo
Mas amanhã, quando te chorar ao mundo
Já teremos cinquenta e oito anos
E os nossos dias
Continuarão cinzentos, eternos cigarros inacabados
Tu, cujos lábios sabem como nenhuns
Habitarás sempre em mim
Sob o condão de eternidade
Nesta varanda que trago dentro
E onde o sol é de cristal
Eu que chamar-te-ei sempre de casa
Hei-de recordar em ti cascatas
Fragrâncias termas e puras
Arribas em que apetece mergulhar
Um dia, já não haverá idade
Nem álgebra, aritmética ou física
Apenas o pulsar da vida num
Palpitar vermelho de veias
Aí, quando o tempo poisar em nós
Hás-de sentir-te viajar comigo
Tu e eu, num perpétuo voo de asa
Eu e tu, a queimar em brasa
What this page can answer fast
Who performs "Tempus"?
Oscar Melindra performs "Tempus", and this lyric page sits inside the Oscar Melindra catalog on LyroVerse.
Where can I find more songs by Oscar Melindra?
Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Oscar Melindra's lyric pages.
Interpretations, questions, and corrections for this song
Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.
What people are saying
No listener comments on Tempus yet.
A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.
Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.