A Moral Provisória
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A Moral Provisória
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Tudo que compro nesse mundo não é meu
Finjo ser ateu pra regular quem se perdeu
Na mesma busca que eu, na mesma busca do eu
Na fila da escola, maternal, jardim e pré
A maçã da professora que chega pra aula a pé
Brincando de ser rico lembra a banco imobiliário
E quando fiz 15 eu passei a ser bancário
Já vi dinheiro grande, mais ou menos e trocado
Quem você acha que banca meu raciocínio quebrado?
Separe-me dos ímpios invejosos e perdidos em geral
Quem odeia no escuro, na luz enxerga mal
Discordo de Schopenhauer.
Escrevo pra alfaiates, sapateiros e domésticas.
Parece complicado, mas depende.
Quando enfrento mentes céticas desarmo-me da lógica comum
Desmonto um a um, cada enigma
Desesperador, sublime como a dor de envelhecer
O que mais posso dizer se não enfrente seus demônios?!
Colecione sonhos, respeite seus hormônios
Grite se quiser, concorde se puder
(Ame mais que uma mulher)
(Mantenha intacta a imagem do seu amor de verão,
Da garota da escola que você nunca teve coragem de chamar pra sair
Mesmo que hoje ela esteja no terceiro casamento e você tenha achado a esposa ideal.
Não existe razão pra essas memórias deixarem de existir.)
Três capítulos depois perambulando pela sala
Num copo, a sopa rala que eu mesmo fiz
Sempre quis dizer mais do que as linhas permitiam.
Metade dos que dizem me entender já se perdiam
Antes mesmo do primeiro tempo
Corta!
Vire a câmera pro time adversário que reclama sem sequer sair do banco pra jogar
E quando eu prosperar vão me dizer que tudo é válido na guerra
Isso não me desespera
O mundo permanece como é
Inunda o meu ser com quase tudo que não é real
Vendaval de letras que circundam cada passo
Venda sobre os olhos de quem quer me pôr no laço
Boi brabo! Não trago! Não fumo!
Meu rap é outro rumo, mas comparam-me a cada perdedor...
Desculpe-me senhor, mas acabou a brincadeira
Isso é terapia intensa pra quem vive na fogueira
(Mantenha intacta as imagens da sua primeira gravação
Do seu primeiro teclado
Do primeiro show
Dos microfones apitando...
Não existe razão para essas memórias deixarem de existir...
Não existe razão pra essas memórias deixarem de existir.)
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