Paulo Peres
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Avesso: Poeta e Poesia

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Lyrics

Avesso: Poeta e Poesia

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Quando as asas da masmorra extrapolam a carga do tédio

E a nata da escória fere o stricto sensu da Justiça,

E da pedra germina o homo sapiens sem anestesia,

E da missão faz-se o poeta endêmico de venturas:

É tempo de resistir, é tempo de transmitir,

Voz e verso, ao chão que nos pisa

POESIA, descarrego ou magia?

Ouvidos surdos à própria boca

Suprema nudez vestida de estética frenética

Com o suave canto que Deus pelo Universo embalou:

Colóquio versado expelido dos braços do pensamento

Vivificando cada morte do câncer social

POETA, Ser indomável, abstrato absorto,

Mendigo tal o perfume do sonho, da utopia,

Livre arcabouço desprovido de preconceitos,

Que faz da vida um grito, imune à censura,

Quando do lixo constrói o luxo das palavras,

E delas o verso e deste o embrião das estrofes

Na simbiose Transcendente que o mundo embeleza

Seu Ego é um "tempo-espaço" algures,

Habitado alhures na metéria "Igualdade e Liberdade",

Onde tudo é branco e ecológico desde o negro?

Onde o "nada" é esotérico, mas fere a expressão

Como o "tudo", translúcido e opaco

POETA e POESIA, união da máquina ao sentimento

Para impor coerção aos dogmas radicais:

Amor, fidelidade e compreensão

Átimo eqüidistante da vida-passagem-saudade

Quando despidos de lógica

Na premissa irreverente do cantar,

Cujo teor à burocracia aposenta o anonimato

De crianças adultas e se transplanta

Aos discos-voadores, a prosopopéia e a sensibilidade,

Mostrando que todos são gente mutuamente:

Loucos, bêbados, mendigos, delinqüentes,

Prostitutas, viciados, artistas e magos

- Gotículas do arco-íris social,

Transpirando em versos o todo que são: resto!

Resto do silêncio escrito em gritos

Concretizando emoções!

AVESSO: energia do elo POETA-POESIA

Enquanto as chagas da desmistificação

Ostentarem o inexorável das bocas faladas

O verso será faca, será lágrima, será revelia

Dilacerando o "proibido" à contramão?

Enquanto o padrão não descarrilar

Cabeças imortais, mas vivas,

Que repelem interfases do todo - nós!

Os poetas gritarão à noite da emoção:

- Bom-dia!

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