Pedro Ortaça
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Meu Canto

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Lyrics

Meu Canto

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No meu canto, não escondo, vou dizendo de vereda

Sou brasa de labareda e ferrão de marimbondo

Desde que o mundo é redondo, não tem esquina nem canto

Amigos, eu lhes garanto, quando este mundo acabar

Com certeza, vai ficar a verdade do meu canto

Meu canto guarda o estilo das fontes de geografia

Quando o gaúcho nascia abarbarado e tranquilo

Meu canto é o canto do grilo dos tempos de antigamente

Que pode ser estridente, mas jamais ultrapassado

Porque o canto do passado é o bebedor do presente

Meu canto lembra o relincho e sanga de pedregulho

Meu canto lembra o mergulho da manada de capincho

Meu canto evoca o bochincho quando o candeeiro se apaga

Ali onde ninguém indaga, nem quem foi e nem quem é

Se é crioulo de Bagé, Santana ou São Luiz Gonzaga

Canto que evoca o rodeio e a ronda de uma tropeada

E a velha gaita acordada resmungando num floreio

Canto que lembra o rio cheio e a clarinada de um galo

Canto que adoça o embalo de uma xirua que implora

Que a gente não vá se embora e desencilhe o cavalo

Canto de lida e serviço cheirando a chão de mangueira

Sovado uma vida inteira, de certo, mesmo por isso

Conserva aquele feitiço que nós todos conhecemos

Herança que recebemos não se compra e não se vende

Por isso, o povo me entende e todos nos entendemos

Aos que condenam meu canto de cousas que já passaram

Dizem que muitos cantaram e chega de cantar tanto

Contra isso, eu me levanto sem procurar desafetos

Não se apagam com decretos heranças de todos nós

Não vou matar meus avós pra ficar de bem c'os netos

Não vou matar meus avós pra ficar de bem c'os netos

Não vou matar meus avós pra ficar de bem c'os netos

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