Poeta J Sousa
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Vingaça do Tempo

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Lyrics

Vingaça do Tempo

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Sem falar o destino nos ofende

Sem ter arma nos gera cicatriz

A cadeia dos anos quando prende

Não aceita habeas corpos de juiz

A doença aparece não avisa

E só o tempo é um marco de divisa

Separando velhice e mocidade

Essa prova quem faz não sabe a nota

E cada dia é um peso que Deus bota

Na carrada do frete da idade

Sem receio das multas abusivas

No autódromo da ruga a lagrima corre

Nossos olhos parecem fontes vivas

Onde o rio do pranto nasce e morre

O deserto na área dos cabelos

Com o tempo tão pouco são os pelos

Que nem é necessário usar um pente

Quando menos se espera a vida é pega

E a mensagem da morte quando chega

O leitor desconhece o remetente

Quando a gente envelhece a vida ensina

Que o cansaço é um monstro a ser vencido

Pesadelo faz parte da rotina

E esperança é sonho adormecido

Sem o a os pulmões perde o impulso

Qualha o sangue na veia falta o pulso

Por não ter mais saúde de reserva

Um dos lados do corpo fica manco

E todo rosto é um quadro e preto e branco

Que o museu da velhice não conserva

Quem se torna refém dessas mudanças

Não consegue esconder as frustrações

Todo peito é um caixa de lembranças

Rejeitando deposito de ilusões

Incha os pés, treme as mãos, cresce a barriga

E o fusível dos olhos se desliga

E as emendas das juntas dão problema

Todo mundo depois que se aposenta

Sente a vida passando e câmera lenta

Como cena de filme de cinema

Para muito distante os sonhos vão

Quando a barba embranquece como gesso

Os momentos finais da vida são

Totalmente ao contrário do começo

Quando a ultima alegria vai-se às pressas

Já não são mais cumpridas as promessas

E a sentença é levada a ultima instância

É efêmero o estagio do prazer

E a saudade revela sem querer

O retrato falado da infância

Quando a vida começa a dá sinais

Que o vigor jovial entrou de férias

Sem revolver escalado o tempo faz

Um assalto na força das matérias

As viagens são feitas com limite

Passa a ser controlado o apetite

Vira o corpo uma bomba sem ogiva

Esperando a contagem regressiva

Para o míssil da morte ser lançado

Quem compete com os anos perde a luta

Sem nenhum artefato de defesa

Quando o fórum de Deus mostra a minuta

Decretando a falência da beleza

As madeixas caindo, a pele inerte

Não tem creme hidratante que conserte

Nem um tipo de plástica que ajude

Na agencia bancário do futuro

O presente começa a pagar juro

Do empréstimo que fez na juventude

Na fronteira do século é Deus quem cobra

Que a alfândega nos pare e nos reviste

Passaporte de ida tem de sobra

Mas passagem de volta não existe

A pessoa já cresce adaptada

Sem lembrança do dia da chegada

E sem certeza da hora da partida

Vai-se o ente levando os assessórios

Mesmo sendo por dias provisórios

Vale a pena ser dono de uma vida

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