Rafael Madara
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Dez

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Lyrics

Dez

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Eu poderia escrever versos sobre o que eu sinto

De como as fadas parecem mais verdes com o absinto

De como pra não sair com a galera

As vezes eu minto

E de como minha mente

Até parece labirinto

De que me embriaga mais um sad song

Do que vinho tinto

E quanto mais me aperta o peito

Mais eu aperto o cinto

Meu eu alegre e eufórico

Já tá quase extinto

Se a lágrima sozinha não desce

De caneta eu pinto

Se então sem força só o silêncio sai, por dentro eu grito

A cada fracasso cara, eu só penso tô frito

A mercê de qualquer idiota, chamado de mito

Pra ter qualquer direito só na base do conflito

Ser chamado de vitimista eu não admito

Sociedade é complexa, não sou eu quem complico

Quanto mais eu busco entender, mais perdido eu fico

Nos 7 dias da semana eu sofro uns 5

A cada momento bom se eu puder eu printo

Quando eu falo que eu tô bem, eu me sinto cínico

É foda só se quer pensar ainda não admito

Acho que o meu caso é de tratamento clínico

As vezes sinto que consigo se tentar com afinco

Mas o bagulho é tenso mesmo, é sério não minto

Vontade de seguir em frente, já não tenho um pingo

Mas o óbvio não muda nada, eu penso comigo

Questionar só sem dar solução cara é um perigo

Igual o mano do lado eu também agonizo

Porque o sistema parece que nos explora igual

Mas é a pele preta que é feita pra marginal

É a mulher sem a equidade salarial

É no prato do pobre que o único tempero é sal

E olha só desde que eu comecei minha fala

Alguma trans já tomou paulada e um índio bala

E é por esse povo que eu não vou ficar calado

Não vou fazer lacração pra ser idolatrado

Porque nessa guerra tem muito soldado enterrado

Melhor trocar o que eu acho, pelo que é provado

E o país segue cheio de alienado reaça

Que acha que comunismo é uma ameaça

Não aprenderam criticidade com consciência

Nem o rigor pra se obter resposta na ciência

Pra que os medíocres possam agora então falar

Delírio com verdade eles querem comparar

E a grande onda que a gente devia desejar

Foi ignorada e na marola estamos a surfar

São só migalhas o que eles agora dão pra gente

Não sei o que é que fez o meu povo ficar dormente

Pegar todo bom senso e só jogar pelo cano

Parece que esquecemos do que é que é ser humano

Eu não quero que você pense só com o coração

Mas que de verdade saiba como usar a razão

Não vê-la como uma parada chata de gente a toa

Mas como o meio ideal pra se viver de boa

Porque coisa melhor pra desfazer mito não existe

E dissolver qualquer conceito que te deixa triste

Não se culpar independente do que quer que sinta

Ou de ainda não ser milionário antes dos trinta

Não desejar ter a Barbie top model do lado

Ou desfilar na cidade de carro importado

Porra é só enxergar tá um palmo a frente

Alguém claramente empurrou essas merdas na gente

Tu não é da elite, acorda! Caralho!

Tudo que tu tem é a tua força de trabalho

Se não vender tua força, mano tu passa fome

Tu não ganhou herança, nem nobre sobrenome

Pra desfazer as forças da alienação

A gente tem que começar essa desconstrução

Se tu baixar a cabeça, eles chegam primeiro

Controle o medo, cara supere o desespero

Faça o que for preciso na luta seja safo

Faça uma história de amor, ou faça um desabafo

Busque a igualdade, busque a união

Destrua a pseudociência e a desinformação

Busque conhecimento siga firme no plano

Sem ter medo do novo ou do seu desengano

Jogue fora a certeza, do dogma abra mão

Esteja pronto para uma desintoxicação

Questione a autoridade, aprenda a dizer não

Seremos agentes da desestabilização

Siga sempre em frente, nem pense em retroceder

De hoje em diante ninguém mais vai te desmerecer

Enquanto a liberdade eles seguirem ferindo

Nos quatro cantos haverá um de nós desmentindo

A hidra irada do gueto vem puta oh yes

Pra cada um que cair, levantarão mais dez

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