Rodrigo Arantes
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Ira

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Rodrigo Arantes visibility3 visits
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Lyrics

Ira

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Nasci na roça e perto da minha casa

Tinha um tal de Chico Brasa

Filho de Maria Bira

Maria Bira casada com João Otávio

Conhecido homem bravo

No sertão de Cantaíra

E Chico Brasa foi crescendo e foi sentindo

Seus instintos de menino pedindo pra viajar

E quanto mais ele crescia ia vendo

Que o sertão era pequeno, ele queria aventurar

Seu pai dizia em sua ira: Desse sertão ninguém me

tira

Chico dizia em sua ira: Desse sertão ninguém me tira

Um belo dia perto daquela fazenda

Foi morar uma pequena com olhos de lua clara

Pele macia, morena, cor de canela

Uma deusa, tinha ela uma beleza tão rara

Mas o destino preparou uma surpresa

E pela mesma beleza dois sentimentos iguais

E o olhar que tinha mais do que um brilho

Transformava pai e filho em dois valentes rivais

E João dizia em sua ira: Essa mulher ninguém me tira

Chico dizia em sua ira: Essa mulher ninguém me tira

E Chico Brasa reconhecendo o perigo

Levou a moça consigo e fugiu para a capital

Obedecendo as ordens do coração

Jurou que para o sertão não voltaria nem a pau

Quando João ficou sabendo dessa fuga

Encheu o rosto de ruga e de bala o cinturão

Se esquecendo que o rival era seu filho

Pôs o dedo no gatilho e ódio no coração

Matou o filho e matou a rapariga

Quando um não quer dois não brigam, a sua filosofia

Rumou de volta pro sertão de Cantaíra

E agora ninguém lhe tira dessa sua cela fria

No coração de todo e qualquer sertanejo

Ficou dúvida e medo, desespero e revolta

Prisioneiro da sua própria consciência

Se não existe inocência não tem esse que se solta

E no sertão agora João vive sozinho

Feito um velho passarinho que já não pode voar

Porque que é preso todo homem quando erra

Consciência é feito terra que não se pode plantar

João tava certo em sua ira: Desse sertão ninguém lhe

tira

João tava certo em sua ira: Seus sentimentos são

mentira

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