Rolando Boldrin
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Jangadeiro Abandonado

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Lyrics

Jangadeiro Abandonado

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Não me pregunte quanto tempo faz

Um ano, dez, quarenta, nem sei mais

Porque do tempo ando esquecido

O que eu me alembro e muito bem

É que naquele dia quando vortei do mar não encontrei Maria

Minha muié tinha desaparecido

Não me pregunte se eu sofri despois

Eu só sei dizê que o mundo que era de nós dois

O dilúvio da sodade com ele se acabô

E pela noite sem fim da tristeza eu fiquei suzinho

Na incerteza como se eu fosse quarqué coisa à toa

Que a maré jogô

Não me pregunte pru que da minha jangada

Eu apaguei o nome da marvada

Como alimpa do corpo uma chaga

O sór e a chuva desbotaro a vela

Mas quem diz que eu pude me esquecê dela?

Quá, tinta de lembrança é coisa que não apaga

Não me pregunte pru que o vento frio

Carrego de dô nos assobio

Martelava o nome dela em meus ovido

O már é cheio de reiva me abri os braço

E eu do penhasco sabia que era só dá um passo

E expursá pra sempre ela dos meus sentido

Não me pregunte pru que arresorvi

Trancá a casa donde com ela vivi

Jogá a chave fora e navegá à esmo

Óia, ficá oiando de novo o nosso ninho abandonado, mudo

Vendo a sodade empoeirando tudo

Quero acabá de vez comigo memo

Não me pregunte se é verdade ou não

Tudo que digo cheio de aflição

Nessa agonia que vancês tão vendo

Quem sabe se não falo por despeito

E vô mentindo pra enganá meu peito

E disfarçá pro cês tudo que tô sofrendo

Não, não me pregunte se agora é mais uma ilusão

Ou se é a Maria mesmo, quanta emoção

Que me espera lá na praia, lá, lá no fim da vida

Se passô um ano, dez, quarenta, pouco importa

Se ela lá vem vortando quase morta

Triste, acabada, feia, desdentada, arrependida

Não me pregunte com quem ela andô

Com quem se foi, pru que me abandonô

Não me pregunte não, amigos meus

Pobre Maria, há quanto tempo por ela espero

Como ainda gosto dela, que tanto que lhe quero

Não me pregunte nada, pelo amor de Deus

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