Rolando Boldrin
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Porteira Abandonada

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Lyrics

Porteira Abandonada

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Quando se alembro da porteira

Da fazenda das parmeira

Lá pras bandas do pinhá

Me vem logo na lembrança

O meu tempo de criança

Que a porteira viu passá

Sentado no seu mourão

Com o queixo em riba da mão

Eu garrava a imaginá

Passava o corguinho cantando

E eu vendo o povo passando

Deixava o tempo passá

Os viajante, os cavaleiro

Sempre me dava dinheiro

Mode a porteira eu abri

E foi ansim dessa maneira

Cismando e abrindo a porteira

O bão tempo que eu vivi

Quando os dinheiro caía

Era memo de alegria

Que o meu rangê da porteira gargaiava

Ah! Dava gosto aquela vida

De abri porteira

E em seguida catá nique, ara se dava!

Mas um dia, que tristeza

Foi chorando, com certeza

Que a porteira escancarô

Em vez de moeda tini

Só vi lágrima caí

Num enterro que passô

Despois largaro a porteira

De um mata-burro, porteira

Do seu lado foi ficá

Mas ela memo de banda

Veve como a sorte manda

Oiando tudo passá

De volta pra seu mourão

Com o queixo em riba da mão

Inda garra a imaginá

Passo o corguinho chorando

Passa o tempo, passa os ano

Só meu pranto qué ficá

Ninguém abre ela

Só o vento arguma vez num lamento

Vem mexê com as suas grade

Mas quando a porteira treme

Eu não sei se ela é que geme

Ou se geme essa sôdade

Vancê se alembra, porteira!

Daquela vez derradêra

Que eu te abri tão comovido?

Um triste enterro passava

E os rangido que ocê dava

Era um ai, foi um gemido

Ah! Porteira abandonada

Como ocê fiquei sem nada

Sozinho com a minha dô

Chorando no meu desterro

Porteira, naquele enterro

Foi minha mãe que passô

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