Rosa Luz
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De Clandestina a Puta

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Lyrics

De Clandestina a Puta

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Orá iêiê, mamãe Ôxum

Orá iêiê, ó ó venêvalê

Na queda da cachoeira

Eu fazia a minha presse

Pra mamãe Ôxum me proteger

Axé

De clandestina a puta

O meu corpo tá marcado

Pra morrer nesse sistema

Que não ver o nosso lado

Mas agora descolonizada

Quero paz pra minha favela

Chego com as pretas

Pra calar os zé roela

De juiz a deputado

Apresento mais um fato

Preconceito quer defeito

Mais uma mina no ato

Nêga preta, mina trans do guêto

Que já patologisa a minha indentidade

Mas aqui eu sou rainha

De clandestina a puta

Eu canto sempre na labuta

Me refiz, tô mais madura

Caio vivo sem ser fruta

Não sou teu objeto

Pra tu poder me usar

Se me ver na tua esquina

É melhor não afrontar

Ah mulheres, eu tô com sangue nos olhos, é por nós e para nós

Por todas as trans e travestis que tentam sobreviver aqui e ali

Tão pensando o quê?

Que ficaríamos caladas nesse sistema

Tentando nos matar, nos enlouquecer?

Essa pra todas as trans

E travestis do guêto que apanham a

Diverdidade do nosso rolê, não tem jeito

(Não tem jeito)

Não tem jeito

Mais uma mina do guêto

Que foi morta sem respeito

É Dandara sem direitos

Pomba gíria no teu peito

A salvação não vem de dentro

Vem da luta ou movimento

Se tá viva é elemento

Se tá morta é escremento

Tamo juntas no tormento

Vou vivendo e acendendo

Tô chapando com o bonde

Chega mais vem ver de perto

Não sacuo o dialeto

Minha luta tá inverso

Ou cantava poesia

Ou queimava o congresso

Partiria pras esquinas

Venderia várias drogas

Nunca quis vender meu corpo

E não tô de anedota

Pois o meu rolê é outro

Vacilou é no pipoco

Atiro nos machos escroto

Não sacou, dá Play de novo

E pras puta na labuta

Que meu canto te induza

É o estado que te furta

Novidade nessa luta

Ver teu corpo um objeto

Quando mata sai de perto

Quando vi já fiz silêncio

E aí o crime é certo?

17 anos esqueci de quem eu era

Bloquiei, apaguei, iguinorei a minha era

Minha cor, minha fé, minha essência, minha maré

Minha sou, mina sou

E seguindo firme vou

Tô chamando pra guerrilha

Pra lutar por nossas vidas

Vejo logo mama Ôxum

No Axé tô na ativa

Pelas pretas, trans e todo mano de qualquer perifa

Com a morte negocio, mas um passe pras amigas

Mataram minha irmã

Bem alí naquela quebra

Nem cheguei a conhecer

Mas sabia que era ela

E não ele como falam nos jornais

Anormais

Nos tratando como lixo

Pra cumprir tais ideais

Colonizados

São capachos, machos fracos

Que não respeitam do fato

Que as mina são diversas

E a opressão não vem de baixo

Vem de cima

E a trans que não sorria

Agora goza pela vida

Quando atira nos racistas

Branquitude perde a linha

Aos anos que canta

Pela aquelas lá da quebra

Que se calam em diante ao sitema que emprega

Saia logo dessa margem

Que ousaram nos botar

E perceba que na luta só nos resta é revidar

Pra tentar sobreviver se fortaleça no rolê

Cê não tá sozinha nesse mundão louco pode crê

No rolê somos perifas, pretas lindas, criativas

Que sangrar os meus poemas

Mas assim que tá a vida

Se nossa expectativa tá em baixo na corrida

Então luto pela a vida

Pois a luta é por direitos

Não se vá Jhá mais sozinha

Pra quem acha que ser trans

É seu lucro, escuta a mina no axé que denuncia

Para além do rolêtombo

Pois eu vim foi dos escombros

Não sacou não passa o pano

Tô chamando então os manos

E as minas do mundão

Assumir linha de frente

No comando anti-opressão

Não sacou não passa o pano

Tô chamando então os manos

E as minas do mundão

Assumir linha de frente

No comando anti-opressão

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