Salpetrié
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Desabafo

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Lyrics

Desabafo

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Já era "tô" por aqui fi, senta aqui pode escutar

Engoli tudo o que vi sem dizer nem um "a"

Lincença aqui vou me expressar e não se espanta

Hoje eu resolvi desentalar o que tava preso aqui na garganta

E é pelos tantos tapa na cara, covarde!

Que rouba a brisa na selva de pedra mera cidade

Verdade. Mentiras se embolaram tipo novelo de linha e tá

Cada vez mais complicado de separar

Cresci ouvindo minha mãe dizer

"- Levanta a cabeça em cada queda se quiser ver o jardim florescer."

Crescer de alma, espírito, coração.

Quem sobe com o que é dos outros logo encontra com o chão.

Aí! Na igreja ele era o santo, no bairro dava calote

Enganava o povo com pouco, desviava umas par de malote

Subiu que subiu, do nada tiu, o império cedeu

Agora ele chora de joelho ele lamenta, diz que não aguenta mais o peso da mão de Deus

Mereceu. O castigo divino não falha

Pintou e bordou com uma faca cega, agora se estrepa na vida esbarrando em navalha

Covarde e canalha, não tô aqui pra citar o seu nome

Enquanto cê coça na sua cadeira, os caneco sem leite e as crianças morrendo de fome

A ganância lota os presídios. Toma lugares no hospital

Tem maior culpa nos homicídios, incentivado pelo real

Oh senhor me dê um sinal, o brilho de antes hoje em dia ofusca

A cura da nossa nação não achei, mas se não der tentei, morrerei de pé na busca

E a mente sofre. O corpo não traduz

Vagam almas sem saber carregando o peso da cruz

Pra alguns, problemas se resolvem acendendo vela

Mas não é bem assim olhando da minha janela

Que é vista pra favela. É o corre nas viela

As 38 berra. As mães se desespera

Menor aqui lidera, pipa sobe é coisa séria

Morro! Oscila riqueza e miséria, tiú

Aí não pode, anda contando com a sorte

Cada dia mais um trote e do nada a bomba explode

A fumaça do sistema desnorteia oh my God

O green que salva a noite pra tirar um bode só fode,

Os papo de crise, cê de charuto e eu no cigarro solto

Cê num restaurante chique e eu comendo meu pão com ovo

Suas promessas de vida melhor desonraram suor não me calo me oponho

A tal marolinha que molhou seus pés ao invés de vazar arrastou por aqui vários sonhos.

Desabafo

Por trás da miséria, criança com fome, sempre haverá um porco engravatado

Desabafo

Lucrando fortuna por mês, ditando suas leis, tornando o povo cada vez mais escravo

Desabafo

Da rotina robótica, democracia pura ilusão de ótica

Desabafo

Situação nacional, seja bem vindo

Ao país do carnaval

Eu penso na vida à cada esquina que passa

Eu vejo uma briga e cada louco na caça, e em casa

Olho pra brasa e vejo a desgraça, pego a folha, amassa

Um vinho na taça e me estrassalha o peso dos sofredores

Só de pensar nessas almas caídas eu nem vejo as cores dos jogadores

Eita mundão mudado! Me calo e reparo eles se matam

E o desabafo é necessário como o dinheiro é do plenário

Desnecessário. Papo falado, auto retrato e é viajado

Mas infestado, imediato, obscecado como os ratos do pensionato

Seu dom pode ser rico mas o meu é abstrato

E o som dos atos, ou dos pratos se resolvem agitados no anonimato

A política do país vive de braços cruzados

Desempregado, sem salário

Welcome... País dos desesperados!

Desabafo

Por trás da miséria, criança com fome, sempre haverá um porco engravatado

Desabafo

Lucrando fortuna por mês, ditando suas leis, tornando o povo cada vez mais escravo

Desabafo

Da rotina robótica, democracia pura ilusão de ótica

Desabafo

Situação nacional, seja bem vindo

Ao país do carnaval

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