Shekinah Rap
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Aos nove anos

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Lyrics

Aos nove anos

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(Verso 1)

Pensei que era zuera, que era brincadeira

Despediu de mim e saiu na sexta-feira

Disse que ia embora pra nunca mais voltar

Que já tinha se cansado e ia me abandonar

Pensei que ia passar, pensei que voltaria

Se pá foi ali buscar pão na padaria

Pra ficha cair vou te fala demorou

(O tempo passou), pois é, e ela não voltou

Ela era tudo pra mim depois que perdi meu pai

E criar filho sozinha pra ela era demais

Não aguentava a pressão, desabava a chorar

Uma pá de vez ouvi ela reclamar

Dizendo que não merecia pagar por erro dos outros

Meu pai quem vacilou, se enroscou, tomou pipoco

Agora a bomba tava aí pra ela criar

Acho que a bomba era eu que ela queria falar

Às vezes me amava, às vezes me odiava

Uma guerra de sentimentos e eu no meio sem armas

Difícil pra mim entender o que aconteceu

Parece que de todos os males pior sou eu

À noite quando deito, cada noite um endereço

Penso nela sinto aperto, se pá eu até mereço

Sozinho no mundo, sofrimento profundo

Mas eu faria de tudo pra ter minha mãe aqui junto

(Refrão)

De tudo o que sofri o que mais me fere

É saber que não estou de noite em suas preces

Aos nove anos te perdi...

Tudo o que mais quero é ter você aqui (2x)

(Verso 2)

De manhã o sol bate na calçada eu acordo

Do café com leite que ela fazia eu me recordo

Realidade triste já bate na minha cara

Tipo pesadelo, mas eu acordo e ele não pára

A vida não é bela, tudo é cinza sem ela

Não acredito em amor, talvez seja a sequela

Quando a vida é dura mata alguns sentimentos

Difícil é ter paz deitado ao relento

Numa oração que fiz eu pedi por um futuro

Diferente do que eu imaginava sem rumo

Esperei por muito tempo encontrá-la de novo

Quanto mais o tempo passou mais aumentou o desgosto

Onde será que ela tá, será que tá forte?

Quando deita na cama pensa em mim, será que dorme?

Quando almoça olha pro prato e lembra que eu tô com

fome?

Ou se pá nem se lembra qual é o meu nome?

Várias coisas diferentes passam em minha cabeça

Meu maior medo é que de mim ela se esqueça

Se for assim, fazer o que? Já passou...

Continua minha mãe seja da forma que for

Escurece nas ruas e o perigo já vem

Poder dormir e acordar é o que eu peço, amém!

Papelão sobre o corpo o frio é um açoite

Vou dormir sem um abraço e um beijo de boa noite/12

(Refrão)

De tudo o que sofri o que mais me fere

É saber que não estou de noite em suas preces

Aos nove anos te perdi...

Tudo o que mais quero é ter você aqui (2x)

(Verso 3)

Não sei se você sabe como é andar sem rumo

Sem saber pra onde vai, sem saber do futuro

Fazer um tour pela cidade a pé, fedendo urina

Com fome se escondendo nos becos e nas esquinas

Assim é o meu dia, desespero e agonia

Desde os nove até os vinte, não era o que eu queria

Pelo menos tô melhor do que muitos daqui

Fui ensinado por ela antes dela partir

A nunca me entregar pra droga nem pra bebida

Por mais que fosse triste e difícil a vida

Só não consigo ser feliz como sempre sonhei

Parece que nem todo mundo nasce pra ser rei

Em frente a uma igreja eu me sinto atraído

Com medo de entrar e não ser bem recebido

Último banco sentado pra não chamar a atenção

Me emocionei com o louvor, com a adoração

Ouvi uma mulher que contava da sua história

Dizendo que Deus salvou e a Ele dava glória

Fiquei atento ouvindo imaginando comigo

Como seria em minha vida algo assim parecido

Ela disse que tá feliz, mas falta um milagre

Importante demais, só ela e Deus é quem sabe

Ela ora e pela fé já faz os seus planos

De encontrar o filho que abandonou com nove anos

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