Silvestre Kuhlmann
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Sansão

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Lyrics

Sansão

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A mulher de Manoá

Não podia filhos ter

Mas um anjo de Jeová

Disse: Tu vais conceber

Um menino que irá

Libertar a Israel

Do domínio filisteu

Ele será nazireu

Nazireu é um devoto

Que a Deus fazia voto

Não cortava o cabelo

Não bebia vinho e pinga

Não tocava em defunto

E não comia presunto

Manoá ficou feliz

E ao anjo disse: Diz

Para mim qual o seu nome

Deve ter muito renome

Eu vou tomar um cabrito

Para matar sua fome

Mas o anjo do Senhor

Disse: É maravilhoso

O meu nome, seu curioso

Manoá não sabia

Que era o anjo do Senhor

E enquanto oferecia

Holocausto de louvor

Subiu chama do altar

E o anjo subiu a voar

Junto com a chama

Manoá e sua mulher

Ficaram com medo de morrer

Caíram com a cara na grama

(Ou será que no chão tinha lama?)

Mas logo se lembraram

Que se o anjo os quisesse matar

Não aceitaria a oferta do altar

E nem coisas boas iria contar

E logo nasceu Sansão

Que virou um homenzarrão

Sansão era muito forte

Matou um leão sem arma de corte

Sem ter na mão um trabuco

Mas por mulheres, tinha um fraco

Ao ver uma filistéia

(Claro que não era mocréia!)

Ele logo se rendia

E aos seus pais entristecia

Pois aprovadas pelo céu

Eram as mulheres de Israel

Que no Deus único criam

Mas as mãos de Deus permitiam

Pois buscava ocasião

De fazer com que Sansão

Contra os filisteus lutasse

E com eles acabasse

Um dia Sansão foi ver o leão morto

E no cadáver tinha um enxame

Vejam só que vexame!

Seu voto esqueceu, tapou as orelhas

Sansão comeu o mel das abelhas

(Lembram que não podia tocar em defunto?)

E ainda inventou um assunto

Apostou roupas com trinta filisteus

A quem descobrisse a adivinha

Do comedor saiu comida

E doçura do forte vinha

A resposta seria dada no banquete

Da festa do casamento

E não tendo quem interpretasse

Disseram, à noiva, os filisteus:

Quer que alguém asse?

Você e a todos os seus?

Nos conte a adivinha

Se não quer ficar fritinha!

E a noiva de Sansão

Começou a chateação

Você não me ama não

Se me amasse contaria tudo

Mas você fica mudo!

E Sansão, carrancudo

(Foram sete dias de encheção!)

Lhe contou a adivinha

E aos parentes filisteus

Ela fez a fofoquinha

E estes do seu povo

Ganharam a aposta

Disseram a resposta

O que é mais forte

Que um leão do norte?

O que é que tem mais doçura

Do que o mel, ó criatura?

Sansão trinta homens matou

Suas roupas tomou

E a aposta pagou

Mas não se apagou

A raiva que tinha

Pois sabia que sua gatinha

Recebeu uma pressão

E revelou a questão

E Sansão voltou pra casa

E a noiva, com outro se casa

E quando Sansão soube disso

Ficou tão irritadiço

Que pegou trezentas raposas

Pôs fogo em tochas

E amarou-as em suas caudas

Foi um Deus nos acuda!

Um incêndio danado!

Todo campo abrasado

E os filisteus queimaram a noiva

E também o pai dela

Então Sansão apela

Causa grande ferimento

A um enorme regimento

Os filisteus se acampam contra Judá

Que fica com muito medo

Então os judeus vão até lá

Onde Sansão estava escondido

E dizem: Não sabe que nos domina?

Este povo filisteu? Você enlouqueceu?

O amarram com cordas novas

Pra entregá-lo àquele povo

Mas ele as arrebenta num momento

Pega a queixada de jumento

E com ela feriu mil

Era tanto cabra macho!

Mas não viu nenhum riacho

Sentiu sede, e disse

Vou morrer, acho

Mas Deus abriu

Um buraco na rocha

E Sansão parou as queixas

Pois dela saiu água

E Sansão por vinte anos

Foi juiz de Israel

Deus tem seus planos

Sansão também arrancou

A porta de uma cidade

Com tranca e umbral a carregou

Com toda a velocidade

E subiu no topo de um monte

Que de Hebrom está defronte

E fugiu dos sentinelas

Que matá-lo queriam

Depois dele amar outra donzela

Mas por causa de Dalila

Sansão enfim vacila

Conta, de sua força, o segredo

Depois de mentir e aos filisteus

Que a Dalila prometeram

Mil e cem moedas de prata

Encher de medo

Falou a Dalila que se o amarrassem

Com sete cordas de arco

Afundaria o seu barco

Mas quando ela gritava

Os filisteus estão vindo!

Percebiam que estavam mentindo

Pois as quebrava com um dedo

E a vilã Dalila

Começou a chateação

Você não me ama não

Se me amasse contaria tudo

Mas você mente, cabeludo!

E ele disse que se o amarrassem

Com cordas novas

Levaria muitas sovas

E ficaria preso, surpreso

Mas de novo, escondidos

Os filisteus observavam

Enquanto se quebravam

As cordas nunca usadas

Após Dalila dar o grito

(Que mais parecia um cabrito!)

Ele contou outra mentira

Sobre fazer sete tranças nos cabelos

Com um tear e prender numa estaca

Mas logo a mentira se destaca

Quando ouviu os apelos

Os filisteus estão vindo!

Ele consegue desprendê-los

E a vilã Dalila

Continuou a chateação

Você não me ama não

Se me amasse contaria tudo

Mas você mente, cabeludo!

E ela o aborreceu tanto

Que ele revelou o encanto

Se eu ficar careca

Eu perco toda a força

E ao tirar uma soneca

Dalila disfarça

E os cabelos alguém corta

Eita mulher torta!

Enfim ao ouvir o grito

Os filisteus estão vindo!

Sansão acorda

Mas o Senhor dele saindo

A força se foi junto

E acabou-se o assunto

Arrancaram os seus olhos

Prenderam-lhe com ferrolhos

Fizeram-no trabalhar feito um burrinho

Amarrado, girando um moinho

Mas seu cabelo, lentamente

Ia crescendo, minha gente!

Os filisteus se ajuntaram

Para ao Deus Dagom celebrar

Achavam que era ele

Que a Sansão fez fraquejar

E fizeram de Sansão um palhaço

Mas ele pediu a um moço

Me deixe nas colunas dar um abraço

E a Deus fez um pedido

Só mais uma vez me faça forte

Pra que eu vingue os meus dois olhos

E Sansão empurrou as colunas

Que à casa davam suporte

E matou muito mais gente na morte

Do que matou enquanto vivo

Lá tinham três mil pessoas

Eram ruins, não eram boas

E assim morreu Sansão

Que por vinte anos

Foi juiz de uma nação

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