Socorro Lira
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Corcunda

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Lyrics

Corcunda

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Galho velho encurvado da madeira

Mais robusta que esse meu chão criou,

Foi a força dos anos que o vergou

E o curvou como estrada de ladeira.

Foi a enxada, a tua companheira

De uma vida inteira e mal vivida,

Sob o sol inclemente e desvalida

De uma sombra, de água e de conforto...

Eu não sei como ainda não estás morto,

Dando a tua sina por cumprida.

Galho vesgo...Meus dias também o são!

E sou eu, igual tu, pobre rebento

Desse tronco, de velho, já cinzento

Pelo quente que queima sem perdão.

Tuas curvas nas costas são, senão,

Testemunho fiel desse destrato,

Do destino cruel, do tempo ingrato.

Te roubaram o vigor e a saúde

E a pretexto da caridade ilude

Tua fé de roceiro, homem pacato.

Ao mirar cada sulco nesse rosto

Já se vê desenhar numa só cor

Cada golpe que o tempo, sem favor,

Aplicou-lhe por dever ou por gosto.

Cada ano sobre esses ombros posto

Vai pesando e seu corpo vai pendendo

Ao cansaço geral vai se rendendo.

O vigor que lhe dava a mocidade

Esvaiu-se sob o peso da idade,

Galho velho encurvado vai morrendo.

Quem o olha agora, assim, despido

Da folhagem e da viçosa rama

Sente que, lá por dentro, uma coisa inflama

De ver o teu suor tão consumido,

Sob o jugo da canga escorrido

A formar um riacho; e no seu leito

Um profundo buraco que, no peito,

Chega até suas águas despejar

A fazer do teu ser, um grande mar

De histórias e lutas todo feito.

E com sua licença, vou entrando

Ou quem sabe, tu entras em minh'alma

Inquieta, sem ter do mundo a calma,

De quem palma não pede suplicando.

Glória alguma está ela almejando,

Mas de ti solicita permissão

Para falar ao povo, à multidão

Que exposta, ao sol, está calada

E faz de conta que não tá vendo nada

E presume-se livre, na prisão.

Passarinho cantou na palmeira

Passarinho canta na palma

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