Telmo de Lima Freitas
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Bragado

Bragado lyrics by Telmo de Lima Freitas. O mais ventena dos potros Vem chegando embuçalado Não nega o pelo bragado O olho de porco tatete Por mais que leve...

Telmo de Lima Freitas visibility5 visits
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Lyrics

Bragado

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O mais ventena dos potros

Vem chegando embuçalado

Não nega o pelo bragado

O olho de porco tatete

Por mais que leve porrete

O diabo não se aquebranta

Brandeia, berra e se espanta

Só pra tirar o ginete

Todos conhecem a fama

Do cavalo marca viola

Que recebeu como escola

O pampa que foi criado

De pelo meio arrepiado

Com jeito de songa-monga

No grito de meta e ponga

Pede que surrem cruzado

Mas no segundo mangaço

Credo em cruz, Nossa Senhora!

Sai berrando campo fora

Como a dizer palavrão

Mais parecendo um tufão

Se endireita velhaqueando

E continua berrando

Tirando lascas do chão

Oh! Sargo, metido a bicho

Criado no Canto Feio

Crucificado de arreio

E serviço de mangueira

De segunda a sexta-feira

De sexta-feira a segunda

Continua o boca-funda

Respeitado na fronteira

Contam até que uma feita

Chegou na estância uma china

Gaudéria, meia teatina

Filha da Ilha Quadrada

Pedindo por uma olada

No lombo do mais ventena

Pra retalhar a chilena

Por troco de quage nada

Foi uma farra daquelas

Quando a potrada chegava

O bragado refugava

Tapado de rebeldia

E a dita cuja trazia

Uma chilena travada

E um mango de dar bordoada

Como o veiaco pedia

Estendeu no parapeito

O velho recau de doma

E num tranco de paloma

Entreverou pra mangueira

O bragado, uma besteira

Aos berros atropelando

E a dita cuja gritando

- “Vai te golpeando, lezera. ”

Bragado, manso de baixo

Se deixou embuçalá

Não precisou nem golpeá

Se precisasse golpeava

E sentiu quem lhe apertava

Bem no meio da barriga

Era alguma rapariga

Que nem o diabo quebrava

Tudo pronto, bamo embora

E saiu num contrapasso

Pedindo por um mangaço

Pra continuar a função

O bragado fanfarrão

Arrancou meio apurado

E aqueles ferros travados

Cumprindo sua missão

De quando em vez dava um grito

Pra não perder o cacoete

E o trovejar de porrete

Não dava folga ao bragado

Já quage meio aplastado

Marca e paleta em ferida

E a mala bruja bandida

Surrando sempre cruzado

Veio a tarde, veio a noite

Despôs veio a madrugada

A noite boca fechada

Num negror de fazer medo

O Zé Grande bicharedo

Domador dos mais antigos

Adivinhava perigos

Nos campos da Estância Nova

- “Os dois vão pra mesma cova

Por se tornarem amigos... ”

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