Tribo da Periferia
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Entre a Vida e a Morte

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Lyrics

Entre a Vida e a Morte

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De repente o clima pesa, não entende mais nada

A noite estava completamente mudada

Muitos mulekes cheiravam no banheiro da escola

Fazia fila no bagulho pra dar uma bola

Refletindo memórias e abastecer a moral

Neguinho com a mão na cintura fazendo cara de mal

Sobrevivendo neste meio do vício maldito

Aprendeu tudo de errado, por isso eu mesmo me ensino

Por enquanto considerado apenas um igual

São vários da roda, extinção de paga pau

Seu sonho ser um traficante respeitado, vida eterna

Chegados pra todos os lados

Muito dinheiro, muitas armas, muita munição

Muitas mulheres, um Opala, um casarão

Profissão perigo, roubos, latrocínios

Se tudo fosse assim tão fácil, tão tranquilo

Mas o destino se armava, a sua mente mudava

Os conselhos de seus pais não serviam mais pra nada

E na escola já não era aquele inofensivo

Rapidamente desprezava seus antigos amigos

Só pensava em maldade, roubos, assaltos e drogas

Nada te regenerava véi, o crime é foda

Seus aliados agora assassinos e traficantes

Diferença de idade, tô ligado, é muito grande

Parou de estudar, estava em todo lugar

Bem notado na quebrada, já dá pra imaginar

Pisante de marca, altos panos da hora

Antes da janta ascende uma bomba aí, decola

Na alucinação é, muita atenção

Ficar ligado que na quebra tem bicudo de montão

O ferro carregado no bolso da jaqueta

Um bom motivo e um mal momento, caixão e vela preta

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Tem que respeitar a lei

Antes que digam amém

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Esqueça o mal que passou

O exemplo que ficou

Muleke, atitude se ilude no crime

Vida pacata, honestidade é quem define

Estava apenas começando a sua vida criminal

Muitas drogas da bocada onde ele era o tal

Arsenal pesado, buracos na parede

Testam as armas que se compram que se vendem

Seus pais se preocupavam, não ia mais em casa

Passava dias na rua, não pensava em mais nada

O tráfico grande, vários pontos espalhados

Vela, cocaína, baseado, filho parado

Muito dinheiro, tinha tudo o que queria

Mas hoje é um, amanhã é outro dia

Arrumou uma dona por quem se apaixonou

A gravidez estava prestes, quatro meses se passou

A barriga da mina já estava bem visível

Queria ver o seu filho o mais breve possível

Comprou todo enxoval, fez o quarto do muleke

Aguardar mais uns meses pra ver o seu pivete

Mas um imprevisto na quebrada, num tiroteio

Seu sonho agora se transformou em pesadelo

Bala perdida, atingiu o crânio da menina

Apenas um disparo acabar com duas vidas

Recomeçar de novo, sozinho novamente

Nesse clima pesado, culpados e inocentes

Morrem a cada dia, periferia subestima as leis

Em cada quadra da favela tem um rei

E nesse meio estava aquele rapaz

Injuriado com uma miséria a mais

De ver sua família terminar antes de começar

Como será que essa história vai acabar?

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Tem que respeitar a lei

Antes que digam amém

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Esqueça o mal que passou

O exemplo que ficou

Retornava a bocada, assim continuava

Vida precária, tráfico de drogas, armas

Muitos se separavam, guerra também não faltava

Favela contra favela, quadra contra quadra

Pegou sua carreta aos 18 de idade

Um Opala, seu sonho virou realidade

Vou por a guerra em dia, cinco caras no carro

Todos prontos pra jogar ou ser jogado

Rolé na outra quebrada, estava ali a rodinha

Os irmãozinhos se acabando, cheirando cocaína

Muito tiro disparado: PT e Oitão

Antes hoje então, fizeram regaço

Bala pra todos os lados, muita munição

Alguns tentaram fugir, mas não tiveram espaço

Uns caídos e outros rastejando, é embaçado

A atração da rua hoje é ver o sangue espalhado

Jogar ou ser jogado, eis a questão

No mundo do crime é cadeia ou caixão

Viraram a esquina e os canas já tavam em cima

Rotina se repete, balas perdidas

Acertaram um muleke, não tinha nada a ver

No mesmo local, ele veio a falecer

Continuava a guerra, mais um corpo no chão

Chacina do caralho, irmão matar irmão

A polícia mete ficha acertaram o motorista

Morte cerebral, um Opala sai da pista

Várias capotadas quem tava dentro já era

Hoje segue o seu destino a 7 palmos da terra

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Tem que respeitar a lei

Antes que digam amém

Saia de vez da vida do crime

A volta da morte não subestime

Esqueça o mal que passou

O exemplo que ficou

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