Um Barril de Rap
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O Lobisomem

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Lyrics

O Lobisomem

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É triste saber, que ao nascer sem roupa e sem ideia

De pouco em pouco, lobo novo pra essa alcateia

Se todo mundo é lobo e o lobo é lobo do homem

O que era sapiens virou louco, outro lobo e sentiu fome

Dispensa verdades, consome maldades, desfaz aliança

Numa certa idade, o ataque é a melhor segurança

Entendeu amizade? Seu nome é lembrança

Barulho é a guerra o silencio é sinal de vingança

Aqui não é lugar para criança e farsa, não dá confiança

Desconfiança, mudar é pagar a fiança

Recebe e fornece de herança

E a semelhança é um estado natural de ignorância

Transformação fornece a barba, que envolve a cara a tapa

Adrenalina no sangue do vira lata, dilata, boca maior que a do primata

E a arma é só uma boca e a boca é só uma arma pra escrever a carta

Pra esquecer o lado primata, oprimido pela pata

Desse bicho que vos cala, não tem fala, só nos caça a dor

Disfarça o odor que passa, no conto sobre o confronto entre o caçador e a caça

Sai da pele desse cordeiro morto que tu carrega

Ve que o ponto fraco é a prata lá da casa da moeda

O olho brilha por comida e passa o dia na disputa

Rosnando pro inimigo independente da fase da lua

Vivendo e aprendendo, com resquícios desse ópio

E se continuar devendo, terás um terreno próprio

Não levará os ossos, o ardor é o valor do ócio

Morrer é um fator, deixe um pouco de amor ao próximo

A fera se liberta, sente dor mas ela vai

Lá fora, noite aberta e um escritor a mais

Maldição que vem do berço, meu passado aqui jaz

Visão que agradeço já não renego mais

Sei que o desconhecido, algum medo atrai

Admirei o objetivo, forte como bonsai

Acredito nesse filho, obrigação de pai

Acredito em mim mesmo mas sempre me cobro mais

Olhado de lado até mesmo por sua matilha

O lobo não pensa, vai em frente, corre e se atira

Dispara sem mira, sem alvo, somente acredita, visa

Em seu caminho, jornada que escolheu pra sua vida

Solto, guiado na noite pela pura luz da lua

Seu corpo alterado por essência, culpa ou loucura?

Personagem sem script, sem corte ele atua

Um filme curta metragem, com o cenário da rua

Faz sua ideologia, algo diferente a seguir

Sabedoria modifica e faz evoluir

Os caminhos são claros, escolha bem antes de ir

Seus destinos, seus atos, um novo eu nasce aqui

A mente é sua toca, os becos são sua selva

O uivo sua revolta, liberdade sua meta

O caçador é o sistema, sua caça o vencer

Sem choro, sem dilema, ou então é triste saber

Ao nascer sem roupa e sem ideia

De pouco em pouco, lobo novo pra essa alcateia

Se todo mundo é lobo e o lobo é lobo do homem

O que era sapiens joga pedra, virou lobo é lobisomem

Madrugada de lua cheia, atormentada com chuva

É sexta-feira negra com um tom de viúva

A sangue frio pelos becos ele uiva

Seus olhar doentio amarelado ofusca a pele ruiva

Criatura do mundão, na solidão ele vaga

Pela noite devolvendo pro mundão toda magoá

Armazenada que em seu coração foi injetada, programada

Registrada num sistema controlada

Estado de natureza que pra muitos é normal

Sobrevivem em meio ao paraíso artificial

O pé atrás é o pontapé inicial, pra te jogarem

Aqui na selva, playground de lobo mau

Mas não se entrega não, se liberta dessa hipnose

Você foi mais homem que lobo, antes dessa metamorfose

Um passado mal passado, eu sei que é duro

No presente, mas o que que cê pressente para o futuro?

Eu quero de presente o futuro que tenho em mente

E se tudo der certo, também estarei presente

Com a minha gente, lá na frente, vendo o quanto a gente cresce

Quando faz e acontece, corre sem parar pra fazer prece

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