Valdenir
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Retirantes

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Lyrics

Retirantes

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Somos o pó

De uma vida em ruínas

E uma gente

Sem disciplinas

Tentando desatar esse nó

Somos a rampa do morro

E cara mais suja no chão

Somos enfim aquele choro

Sem a chave do mundo na mão

Somos relâmpagos

Invernos e refrão

Que o trovão da vida

É um poema

Pra moça sem coração

Que vive sempre iludida

Fazendo dos seus dias

Um dilema

No breu confuso da noite

Sem amor, amigos ou paixão

Somos a voz

Que se solta em vão

Um ser feroz

Na escuridão

Somos a correnteza

E aquela multidão

Vivendo de incertezas

Querendo tocar

O sol com as mãos

Somos enfim uma fortaleza

E toda aquela confusão

Somos a liberdade

E toda a solidão

Prisioneiros da desigualdade

E da falta de compaixão

Pois o mundo é um motor

Que gira em rotação

Onde a verdade

As vezes se esconde

E no peito ainda mora uma dor

Somos enfim essa multidão

Com essa falta de amor

E perdão

Que a vida as vezes

É como um trator

Um certo quinhão

Pra quem tem outra cor

Nós somos a falta

Que preenche o vazio

A solidão que exalta

E o sucesso um tanto tardio

Somos o regresso

De quem vem de longe

Trazendo na mala

Sonho e esperança

E também algum documento

Mulher sempre fica na sala

E criança vem com o tempo

Quando a coisa aqui melhorar

Eu coloco todos na bagagem

E também carrego pra cá

Pra ver o sol nascer mais bonito

E beleza vai ser trabalhar

Pra se sonhar com o infinito

Primeiro é preciso buscar

Pra depois louvar com o bendito

O que de fato pôde encontrar

Do pó do nordeste sem chuva

Onde só tem curva e peste

Eu vou direto é pra cidade grande

Pra que algo de bom

Lá se manifeste

Apesar do barulho do som

Diferente de lá do nordeste

Onde tudo era só silêncio

E tão calmo o nosso agreste

Levo comigo o meu dom

Que tenho há milênios

Uma forma assim de presente

Vinda de uma força celeste

Pra quem tá na vida sem rumo

E longe da casa da gente

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