Fantasias de Criança
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Fantasias de Criança
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Antes do primeiro dente
Rasgar as minhas gengivas
Mil ilusões compassivas
Criaram-se em minha mente
Meu mundo de inocente
Era de simplicidade
Não tinha visto a metade
Do mal dos futuros dias
E um mundo de fantasias
Circundava minha idade
A noite adormecedora
Amarra-me em seus laços
Adormecendo nos braços
Da minha mãe protetora
Uma rede aquecedora
Armada num camarim
Era forrada e no fim
Eu sussurava um ressono
A inocencia do sono
Reinava dentro de mim
Aos poucos fui crescendo
Transformando a esperança
As ilusões de criança
Foram logo aparecendo
O meu futuro fui vendo
Em fartos mananciais
Sonorizantes pardais
Cantando e bicando as penas
Mais tudo aquilo era apenas
Fantasias e nada mais
As consolantes chupetas
De mim nunca se apartavam
Diante de mim giravam
As mais rápidas carrapetas
As mais belas borboletas
Beijavam os botões pendidos
Nos jardins esmaecidos
A flor beijava os cascalhos
E se espalhavam entre os galhos
Dos ramos enverdecidos
Como de uma mãe só sai
Principios de amor e classe
Ensinava que eu chamasse
Mamae, titio, papai
Dos vivos lábios de pai
Eu contemplava o sorriso
Como o mais fiel aviso
Do amor que expressava
Pra mim meu lar igualava
A um divinal paraíso
Ao passear pelos cumes
Robustecidos de rosas
As florzinhas mais cheirosas
Doavam-me seus perfumes
Para mim os vagalumes
Eram lampadas de uma festa
Que entre a noite modesta
Emprestavam brilho as ervas
Pendidas por entre as trevas
Que afogavam a floresta
Mamae que me dava pao
E pelo filho ciuma
Tinha os braços como espuma
Quentes iguais ao verao
Quando morfeu com a mão
Recolhia-me em seu seio
Eu adormecia cheio
Daquilo que o sono ama
Papai e mamae na cama
E eu bem feliz no meio
Diante aos objetos
Que havia sobre a sala
Ecoava minha fala
Muito carente de afetos
Os meus passos incompletos
Revelando teimosias
E as minhas lágrimas frias
Que derramava chorando
Aos poucos iam molhando
Meu mundo de fantasias
Ao contemplar o luar
Via no céu que flutua
Os lábios pálidos da Lua
Querendo me oscular
Eu não sabia afagar
Com palavras docemente
Aquele rosto atraente
Que no céu suspenso havia
Naquilo eu adormecia
No meu colchão de inocente
Sonhar vendo as criaturas
Num eden de flor e frutos
Andar entre os bichos brutos
A procura de aventuras
Quando as ilusões futuras
Estão mortas na distância
Aceitar a tolerancia
Caricia e amor profundo
São fantasias de um mundo
Aonde impera a infância!
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