Joca Martins
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Carta à Querência

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Lyrics

Carta à Querência

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"Empessou já faz uns dias, de uma pomba de asa quebrada

E achei sua mirada tão parecida com a minha

Acontece com quem caminha e com quem voa também

Ave que céu não tem homem no lugar errado

Pássaro sem bater asas, homem desterrado"

Desde então eu amanheço e no espelho reconheço

Na minha cara espelhada a de meu pai em mim talhada

Minha mãe em meus olhos vejo e parece que me olhando

Sabe os motivos que ando com coração apertado

Por andar tão apartado das coisas que tanto amo

Tenho um olhar mal dormido de andar mateando comprido

Varando as madrugadas de quem já topou parada

E traz silêncios mais fundos sensação de fim de mundo

De quem perde a referência que eu não sei como se fala

E me ordena a arrumar a mala e partir rumo á querência

"É quando um vento levanta e já faz três dias que venta

Com uma voz agorenta me embrujando os ouvidos

Falando de eu já ter ido pra terra que anda em mim

Pro barro e pro capim, pedra moura e galpão

Pras cosas do velho chão, pitangueira e alecrin"

Assim no mais me despeço ajeito de novo um mate

Antes de mim este chasque á querência da figueira

Uma espécie de aviso a tudo que eu quero bem

Logo me vou daqui ao chão moreno que prezo

E já no mais me despeço da pena que vive em mim

Tenho um olhar mal dormido de andar mateando comprido

Varando as madrugadas de quem já topou parada

E traz silêncios mais fundos sensação de fim de mundo

De quem perde a referência que eu não sei como se fala

E me ordena a arrumar a mala e partir rumo á querência

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