Joca Martins
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Tirador

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Lyrics

Tirador

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Tirador velho curtido manchado de sangue fresco

Meu avental gauchesco que apresilho pacholento

És o rude paremento do meu ritual camponês

Que arrasto com altivez nas catedrais do relento

Teu flecos de meio palmo lado a lado sem emenda

Fazem às vezes de renda entropilhados na barra

E cantam que nem cigarra fazendo acompanhamento

Quando o laço barulhento cai num pealo de cucharra

Se às vezes num golpe seco o laço curte e escorrega

Sinto um cheiro de macega meio verde chamuscada

E de cintura oitavada calço no mais o garrão

Mas quem agüenta o tirão és tu relíquia sovada

Tu sempre andaste comigo gauderiando pelo pampa

Riscado de faca e guampa, manchado de criolina

Em qualquer lida genuína, na marcação e na festa

E até nas horas de sesta forrando cama de china

Por isso meu tirador cada vez que te apresilho

Viro de novo a potrilho e me vem aquela ânsia

De me largar na distância contigo, o pingo e o laço

Pra desentrevar o braço nalguma lida de estância

E ao te amarrar nas ilhargas meu rude traste campeiro

Eu me paro mais faceiro do que chinoca de brinco

E a cada pealo que finco ouço teus flecos proseando

Como que rememorando potreadas de 35

Quantas vezes, nem me lembro meu tirador de capincho

Eu te arrastei no bochincho dançando polca e vaneira

E nas canchas de carreira ao pé da fogueira acesa

Foste meu pano de mesa pra jogar truco e primeira

E quanto rio campo afora bandeei pra o lado de lá

Fazendo xaraxaxá contigo meu tirador

Na culatra ou de fiador tapado de espuma branca

Sempre batendo na anca do meu pingo nadador

Por isso quando esta vida nos rebentar de um tirão

No fundo do meu caixão serás o pano bendito

Porque tu traste esquisito que sempre amei com violência

És a lonca da querência que eu levo pra o infinito!

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